03/04 - 13:59 - Agência Brasil
BRASÍLIA - A prefeitura do Rio de Janeiro não tem como manter abertos 24 horas por dia os postos de saúde da cidade, conforme determinou a Justiça Federal nesta quarta-feira. Segundo o secretário municipal de Saúde, Jacob Kligerman, a decisão esbarra na questão da violência.
“Abrir um posto dentro de uma comunidade que você não consegue alcançar, quem vai? Qual será a necessidade de abrir? Nós cumprimos o que podemos”, disse Kligerman, durante inauguração de parte do Hospital de Acari, que receberá pacientes com dengue.
Além da questão da violência, acrescentou o secretário, os postos de saúde não têm condições de receber, nos fins de semana, casos graves de pacientes com tuberculose e asma, por exemplo. “[Os postos] estão preparados, mas para procedimentos mais complexos não são adequados. Vai-se colocar em risco a população, os médicos e atendentes. Enfim, temos que ter um pouco de clarividência e responsabilidade pública.”
Kligerman não disse se vai recorrer da decisão da Justiça. Ele informou que a sentença foi encaminhada à Procuradoria Geral do município, que decidirá sobre o assunto.
Ainda segundo o secretário, devido à letalidade da doença, “não pela liminar”, o horário de atendimento dos postos será ampliado. A partir do próximo fim de semana, 91 unidades abrirão aos sábados e 17 aos domingos, atendendo das 7h às 17h. Outras seis funcionarão 24 horas.
Ontem (2) a juíza federal Regina Coeli Medeiros determinou, liminarmente, a abertura dos postos durante todo o dia e noite, inclusive, nos finais de semana. A multa para o não cumprimento da medida é de R$ 10 mil por dia, a ser paga pelo próprio secretário municipal de Saúde, pelo secretário estadual, Sérgio Côrtes, e pelo representante do Ministério da Saúde no Rio.
Leia também:
Leia mais sobre: dengue
Publicidade
Filas em hospitais ainda são motivo de queixas de pessoas com suspeita de dengue
Sem médicos, tendas para hidratação de pacientes com dengue no Rio não funcionam
Jobim diz que militares vão combater mosquito da dengue e atender pacientes no Rio
Secretário diz que larvicida contra dengue estocado no Rio prejudica saúde humana