03/04 - 17:18 - Redação com Agência Estado
BRASÍLIA - Cerca de 300 estudantes invadiram a sede da reitoria da Universidade de Brasília na tarde desta quinta-feira para reivindicar a saída do reitor Thimoty Mulholand, do cargo e pela substituição de todo o corpo administrativo da instituição. O motivo para a saída de Thimoty seria a aplicação irregular de recursos públicos na reforma de seu apartamento funcional. O repasse teria sido feito por meio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec).
Sessenta deles estão dentro do gabinete do reitor. Até o momento, ninguém da administração da universidade compareceu ao local para dialogar com os estudantes. A assessoria da universidade informou que a Polícia Federal fará a negociação com os estudantes para que desocupem o prédio. Pelo menos 20 policiais federais estão no local e esperam reforço.
Um dos delegados responsáveis pela negociação, que não se identificou, afirmou que o objetivo da polícia é contornar a situação. Na sua avaliação, a manifestação deve durar pelo menos até o início da noite diante da “exaltação dos ânimos” dos alunos. Do lado de fora da universidade, também há carros da Polícia Militar, que não podem entrar no campus por se tratar de uma instituição federal.
Reivindicações
Na pauta, os estudantes reivindicam eleições paritárias, novas eleições para cargos de direção da UnB e a saída do reitor. O coordenador-geral do Diretório Central de Estudantes (DCE) da UnB, Fábio Félix, falou que a idéia é provocar o afastamento “imediato” do reitor, do vice-reitor, Edgar Nobuo Mamiya, e a destituição do atual conselho da UnB. “Queremos ainda democracia nas próximas eleições da reitoria, o que significa paridade (igualdade de representação) nos conselhos participativo e deliberativo da universidade”, declarou.
Félix defendeu também o fim das fundações de direito privado. “Essa fundações abrem precedentes e mecanismos jurídicos para que haja este tipo de manobra de gastos como aconteceu com o reitor”, disse.
"É uma ocupação de indignação com a situação da UnB", afirmou Adriano Dias, do DCE. "O reitor nunca recebeu a gente para negociar", contou.
Segundo Adriano Dias, o reitor não estava no local.
Os funcionários do prédio ocupado já deixaram o local. Os estudantes também usam faixas com os dizeres “Fora já Thimoty e fundações” e “Nossa educação na lixeira não” no protesto, além de palavras de ordem como “Eu ocupei a reitoria. Educação não é mercadoria”.Apoio
Representantes do Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior (Andes) compareceram à manifestação para dar apoio aos estudantes da UnB. De acordo com o diretor regional no Rio de Janeiro, Paulo Cresciulo, o protesto deve ser levado em conta como ato político. “Os estudantes estão atentos. A pauta de reivindicações diz respeito à melhoria para os estudantes e para as universidades”, declarou.
Ele também avalia ser “promíscua” a relação da universidade com fundações privadas. “Esta relação serve apenas para burlar o sistema de licitação”, apontou. Ele estava acompanhado do diretor regional em Belém (PA), Arnóbio Tocantins Neto.
Alguns professores da universidade acompanham as manifestações, mas não querem se pronunciar. O procurador-geral da UnB, José Weber Holanda Alves, também acompanha o protesto sem se pronunciar.
(* Com reportagem de Carollina Andrade e Sarah Barros, da Santafé Idéias)
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