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PCC negociou com quadrilha boliviana ligada às Farc

30/03 - 07:17 - Redação com Agência Estado

SÃO PAULO – Um  relatório apreendido pelos policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), em poder do tesoureiro da facção criminosa do Primeiro Comando da Capital (PCC), Wagner Roberto Raposo Olzon, o Fusca, revela que o grupo estabeleceu negociações com traficantes bolivianos ligados às Farc. 

São quatro páginas escritas à mão em que Olzon conta detalhadamente a missão na Bolívia. De acordo com o relatório, o PCC acertou a entrega de 50 a 70 quilos por mês do cocaína. O preço acertado foi de US$ 2 mil por quilo, mais R$ 1,5 mil de frete para cada "peça" transportada até São Paulo.

Olzon contou aos traficantes bolivianos e paraguaios "os trabalhos que a família desenvolve". Falou da ajuda a parentes de presos, das cestas básicas e do pagamento de advogados. "(Eles) entenderam e mostraram uma grande vontade de participar desse projeto nosso". Então, trataram do preço e das primeiras encomendas. Acertou com dois traficantes que mandariam dez peças (quilos) cada um. A família pagaria US$ 5 mil, com frete incluso.

Por fim, Olzon e seu ajudante passaram a conversar com os bolivianos e paraguaios sobre a compra de "ferramentas" (armas). O pagamento dessa mercadoria deveria ser feito na Bolívia, mas o frete ao Brasil seria de graça. 

O contato entre a família e o cartel da droga boliviano seria feito por meio de um homem conhecido como John, "que é amigo de Bombom". Integrantes da inteligência policial de São Paulo tentam há meses identificar Bombom. Sabe-se que ele e Carlos Antônio da Silva, o Balengo, estão entre os mais importantes integrantes da facção em liberdade. Balengo é responsável por roubos, entre outras operações, e Bombom e Olzon cuidavam da contabilidade e do tráfico.

Em sua volta ao Brasil, Olzon escreveu o relatório para a cúpula da família. "Sobre nossa estrutura, estamos providenciando e passaremos via rádio, mas, para o que está chegando, está tranqüilo. Dentro de 30 a 45 dias estaremos prontos para fazer todo o trabalho’, afirma.

Leia mais sobre: PCC - Farc





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