27/03 - 11:44 - Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), protocola nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto, uma carta endereçada ao presidente Lula, solicitando a divulgação dos gastos que fez com cartões corporativos à época que era Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República (atual Casa Civil). Além dele, o documento também pede a abertura das contas dos ex-ministros da Educação e da Reforma Agrária, deputado Paulo Renato (PSDB-SP), e deputado Raul Jungmann (PPS-PE), respectivamente.
A carta será acompanhada de um requerimento endereçado à ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, uma vez que as informações solicitadas estão em sua pasta. Nos documentos haverá também uma sugestão a Lula, que siga o exemplo e abra suas contas.
De acordo com Virgílio, a ação visa constranger a base governista, que na CPMI dos Cartões dá sinais que não irá abrir gastos sigilosos dos ministérios de Lula e nem da presidência da República. "Queremos uma onda, em que cada vez mais ministros abram suas contas para constranger a base para que faça o mesmo", disse o tucano.
Nesta terça-feira, 25, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso enviou carta para o senador Virgílio dizendo que abria mão do sigilo de seus gastos, e alegava que os gastos feitos com os cartões corporativos deveriam ser abertos, tanto de sua gestão quanto a de Lula.
Apesar dos atos de Virgílio e FHC, os dados de gastos com os cartões de ministros, ex-ministros e de presidentes, só podem ser revelados a partir de um requerimento oficial de alguma instituição. A CPMI pode, por exemplo, aprovar requerimento para tal, bem como o Supremo, se incitado, pode determinar essa divulgação.
Por essa razão, a ação tem somente peso político e vai inflar os debates dentro da CPMI. "Está chegando a hora da verdade, temos que esclarecer os gastos de todos os ministérios", destacou Virgílio.
Além da carta ao Planalto, o tucano não descarta a possibilidade de ir ao Supremo pedir a abertura dos gastos dos ministros, ex-ministros e dos casais presidenciais FHC-Ruth Cardoso e Lula-Marisa Letícia.
Os gastos da Presidência da República já haviam sido solicitados por Virgílio junto ao STF. A ação, assinada pelo tucano e por membros do PPS, foi retirada após o Supremo pedir documentos que provassem que os autores não tinham acesso aos dados. Com isso, o senador adotou outra tática.
Na segunda-feira passada, 24, Virgílio protocolou na presidência um pedido endereçado ao próprio Lula, para que abrisse os gastos dos cartões da presidência. No caso de uma resposta negativa, ele espera usar o documento para provar ao Supremo que não teve acesso aos dados e entrar com nova ação pedindo a abertura das contas.
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