27/03 - 19:38, atualizada às 01:13 28/03 - Agência Estado
SÃO PAULO - Políticos da oposição afirmaram nesta quinta-feira que o crescimento da economia não é o único responsável pelos altos índices de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apontados pela pesquisa CNI/Ibope. Para eles, Lula tem usado o PAC como "palanque" para aumentar o desempenho positivo nas pesquisas.
O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), um opositor ácido do governo, disse que Lula se aproveita da melhoria na economia, que reflete diretamente no sucesso do Executivo, e usa sua força para imobilizar os poderes Legislativo e Judiciário.
"O Congresso está subordinado, de cócoras. E o presidente não leva em conta o Judiciário, que está acuado", afirmou, ao pedir ao PSDB e DEM que acionem Lula na Justiça. "Lula está usando o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) como palanque eleitoral e levando tudo na gozação e ironia. E não pode usar o dinheiro público para chegar aos Estados e tratar a opinião pública como imbecil", observou. Ele lembrou que, em 1974, o ex-presidente Médici chegou a 84% de aprovação. "E deu no que deu", completou.
O presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), entende que, além dos ventos favoráveis da economia, Lula não saiu do palanque. "Ele está inaugurando obra que não existe e gerando muita expectativa no palanque", analisou. Para o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), a popularidade alta de Lula "não é julgamento definitivo, mas retrato do momento e produto de circunstâncias".
O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), afirma que outros fatores devem ser considerados, como a capacidade de comunicação de Lula, respaldada por um forte esquema de propaganda política, e a falta de ajuste e organização da própria oposição.
Para os tucanos, o governo Lula apenas consolidou na economia um processo que já estava em curso o que mudou o padrão de vida das pessoas. "Mas o problema de legitimidade na base do governo é profundo", afirmou Sérgio Guerra. Para o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), apesar de ajudado pela economia, o governo de Lula não conseguiu combater a dengue e a febre amarela.
"A economia melhorou, mas não vejo reflexos positivos na segurança pública e educação, só vejo o presidente em campanha com dinheiro público", completou.
Antes mesmo da divulgação dos números da CNI/Ibope, as cúpulas do PSDB e DEM já estavam decididas a fazer um encontro, com a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para discutir rumos.
Antes disso, na próxima segunda-feira, haverá uma reunião entre os principais líderes de oposição para uma avaliação. A maioria reconhece que é hora de "menos grito e mais inteligência". O que mais incomoda a oposição é o uso eleitoral do PAC. "Lula é um infrator e não tem nenhum compromisso com a moralidade pública e nem com a verdade", concluiu o líder do PSDB, deputado José Aníbal (SP).
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