25/03 - 19:56 - Agência Estado
SALVADOR - Mais magro e com semblante cansado, o médico psiquiatra Sabino Ferreira de Farias Neto, acusado de ter causado a morte do lutador de jiu-jítsu Ryan Gracie em dezembro, após dar a ele um coquetel de remédios, prestou depoimento à Polícia Civil da Bahia, na sede da corporação, no centro de Salvador, capital em que mora há 15 dias.
Segundo o diretor do Departamento de Polícia Interestadual (Polinter) do Estado, Joelson Reis, o depoimento foi pedido pelo 91. º Distrito Policial (DP) de São Paulo, onde corre o inquérito criminal, por meio de carta precatória. "Eles queriam mais detalhes sobre tudo o que ocorreu naquela noite em que o lutador morreu - e acho que conseguimos detalhar bem os acontecimentos", afirma.
O depoimento começou com 15 minutos de atraso, durou quase três horas e foi realizado a portas fechadas. Natural da capital baiana, Farias Neto chegou à Polícia Civil com dois advogados e um colega psiquiatra, Roberto Kalil, que o acompanha desde que chegou à cidade - segundo a assessoria do escritório de advocacia que o defende, ele está com sintomas de depressão.
Ao fim do depoimento, Farias Neto não quis dar declarações e delegou o papel ao advogado Sérgio Habib, um dos defensores dele, apesar de não se afastar do médico em nenhum momento. "Está demonstrado que meu cliente é inocente", afirmou Habib.
"O laudo cadavérico de Ryan Gracie mostra que ele sofria uma cardiopatia isquêmica crônica da qual o psiquiatra só ficou sabendo quando foram divulgados os resultados, após a morte do lutador. O dr. Sabino foi pego de surpresa pela informação."
De acordo com o diretor do Polinter da Bahia, o depoimento também serviu para detalhar, oficialmente, os procedimentos adotados por Farias Neto na noite em que atendeu Gracie.
Segundo o médico psiquiatra, quando ele encontrou o lutador de jiu-jítsu na carceragem do 91.º DP - havia sido preso após roubar um carro e tentar furtar uma moto -, viu que ele estava "muito alterado", mas resolveu não medicá-lo antes que fosse feito o exame toxicológico no Instituto Médico Legal (IML).
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