Tosse limpa pulmões e garganta Por Por João Geraldo Simões Houly (*) São Paulo, 20 (AE) - A tosse é um mecanismo de defesa do organismo, já que provoca a expulsão de muco, catarro e até corpos estranhos, providenciando a limpeza dos pulmões e da garganta. Nos Estados Unidos, cerca de US$ 1 bilhão é gasto anualmente com o tratamento da doença.
No Brasil, apesar de não haver dados oficiais, sabemos que muito se gasta em xaropes para o controle da tosse, haja vista o aumento de investimento em novos produtos.
Os dois principais tipos de tosse são a produtiva (que apresenta formação de secreções) e a seca. Também se pode classificá-la como crônica e aguda. Cada tipo está diretamente relacionado a uma causa, ou doença, específica. A aguda, por exemplo, tem como causa mais freqüente uma infecção viral das vias respiratórias superiores. Trata-se de uma manifestação secundária, sendo resultado da drenagem de secreções nasais que atingem a garganta. Já a tosse seca é resultado da sensibilização de receptores da tosse, que podem ser do ouvido, da garganta, da pleura, da traquéia ou dos brônquios.
A tosse crônica pode ser atribuída a diversas causas. Asma, bronquite, rinite, sinusite, doença de refluxo gastroesofágico e doenças do coração são as mais recorrentes. Mas não se pode menosprezar agentes externos, como poluição, poeira e fumaça de cigarro. Aliás, a tosse crônica dos fumantes, acompanhada por um "pigarro", é bastante conhecida por todos - podendo se acentuar com o passar dos anos.
O tratamento da tosse deve estar relacionado diretamente com o da doença de base. Não se deve recomendar xaropes. Quando a tosse se apresentar de forma seca (improdutiva) e irritativa, sobretudo quando perturbar o sono, é possível lançar mão de antitussígenos. Porém, há que se considerar sempre a relação risco-benefício, admitindo-se que se está suprimindo um mecanismo de defesa - com a possibilidade de retenção de catarro e agravo da doença, sobretudo em idosos.
Os pacientes devem procurar um pneumologista quando: o catarro expelido tiver uma coloração amarela ou verde (podendo ser resultado de uma infecção bacteriana); a tosse persistir por mais de sete ou dez dias, mesmo quando a doença de base (resfriado ou gripe, por exemplo) já se apresenta controlada; a tosse se estender por mais de duas semanas sem causa aparente; a tosse vier acompanhada por episódios de febre ou houver expectoração de sangue juntamente com a mucosa.
(*) Doutor João Geraldo Simões Houly é médico pneumologista e chefe de UTI do Hospital Santa Paula (www.santapaula.com.br).
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