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Cartão da dengue vai monitorar pacientes no Rio

24/03 - 19:15 - Agência Brasil

RIO DE JANEIRO - Pacientes com sintomas de dengue da rede pública de saúde no Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense vão receber cartões para acompanhamento da evolução da doença. Inicialmente, o governo federal distribuirá 250 mil cartões, como uma das ações de combate à dengue anunciadas pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão.


Com o cartão, os médicos da rede pública poderão acompanhar o paciente e dar um diagnóstico mais preciso, já que os primeiros sintomas da dengue são parecidos com os de outras doenças, como a gripe.

O cartão também evitará que o paciente, a cada vez que comparecer a um posto de saúde, faça um relato completo dos sintomas e dos procedimentos médicos já adotados – tudo estará registrado no cartão, inclusive os resultados dos exames feitos.

“Como não há uma assistência primária de qualidade, os pacientes acabam percorrendo vários pontos do sistema. E o outro médico precisa ter todas as informações sobre o caso e saber exatamente quais foram os exames e medicamentos utilizados. Nós ainda estamos pedindo que este cartão também seja utilizado na rede privada”, afirmou o ministro.

De acordo com a assessoria do Ministério da Saúde, os cartões vão ser distribuídos primeiramente no Rio de Janeiro, mas a medida deverá ser ampliada para outros estados.

Alta incidência continua até abril
Temporão disse que a alta incidência de casos de dengue no Rio de Janeiro deve durar até o fim de abril. Ao visitar a sede do  Programa de Agentes Comunitários de Saúde (Pacs) da Rocinha, Temporão lembrou que, para ser eficiente, o combate à dengue tem que se dar nas três esferas de governo: federal, estadual e municipal.

"Cada nível de governo tem atribuições e responsabilidades muito claras. A dengue vive hoje esse quadro de epidemia no estado. E o mais importante é responder ao questionamento da população: como a situação será resolvida? É preciso atender bem as pessoas, reduzir o tempo de espera, o número de óbitos e ampliar o acesso ao atendimento. É isso que a população quer ouvir.”

Temporão defendeu um conjunto de ações articuladas, inclusive com a presença das Forças Armadas, que também aderiram às ações de combate à doença. “É preciso essa ação integrada e articulada, porque a situação é grave”, disse o ministro.

Ele ressaltou, porém, que a situação de gravidade, com um número cada vez mais maior de notificações e óbitos causados pela doença, só está se verificando no Rio de Janeiro, onde houve “falha” no combate ao vetor. “Está situação só está acontecendo no Rio. No Brasil inteiro, o número de casos de dengue encontra-se em queda – 40% a menos em relação ao ano passado. É um problema especifico aqui do estado, e nós estamos aqui para tentar melhorar este quadro.”

Segundo o ministro, a consciência da gravidade da situação e a perspectiva de que o quadro só venha a melhorar no final de abril levaram o governo federal a adotar uma série de medidas para minimizar o problema. “Estamos ampliando o número de pontos de atendimento ambulatorial para desafogar as emergências dos hospitais e, assim, reduzir o tempo de espera, melhorar a qualidade do atendimento e reduzir óbitos.”

Temporão negou que o governo federal tenha tomado providências para minimizar o problema somente agora, depois do aumento do número de notificações e de óbitos: “Desde outubro, estamos trabalhando, com reuniões quase semanais no Rio. Estamos liberando recursos, dando assessoria e treinando pessoal. Sem mosquito, não tem epidemia. Então, a grande falha foi no combate ao vetor, mas o momento agora não é de fazer acusações e tampouco de polemizar. Isso é muito desagradável. A população quer respostas objetivas e claras.”

A visita do ministro Temporão à sede do Programa de Agentes Comunitários de Saúde da Rocinha fez parte da programação do Dia Mundial de Luta contra a Tuberculose.


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