20/03 - 14:14 - Redação com Agência Estado
RIO DE JANEIRO - O secretário de Saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Cortês, admitiu, na tarde desta quinta-feira, que o Estado enfrenta uma epidemia de dengue. Segundo a assessoria de imprensa, o secretário falou sobre o surto da doença durante a cerimônia de entrega de novos leitos no Hospital D. Pedro II.
"O Estado está tomando uma série de medidas para enfrentar a epidemia de dengue, tanto na assistência aos pacientes como na prevenção, com a força-tarefa dos bombeiros e dos agentes de saúde. Mas é importante também que cada um faça a sua parte", disse o secretário.
Segundo a secretaria, até esta quarta-feira, o Estado registrou 32.615 casos de dengue, sendo 12.758 em janeiro, 14.919 em fevereiro e 4.938 em março. O município do Rio apresentou o maior número de casos: 20.269, seguido por Nova Iguaçu (2.282), Angra dos Reis (2.100), Campos (1.957) e Duque de Caxias (888).
Das 47 mortes por dengue confirmadas no Estado, 29 ocorreram na capital, seis em Duque de Caxias, uma em Miguel Pereira, três em Campos, duas em São João de Meriti, uma em Paracambi, três em Nova Iguaçu, uma em São Gonçalo e uma em Angra dos Reis. Além dessas, outras 49 mortes estão sendo investigadas.
Indenização
Nesta quinta, a 17ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio condenou, por unanimidade, o Estado e o município do Rio a pagar indenização no valor de R$ 30 mil a Ozinaldo Felix de Araújo, pela morte de sua filha de 13 anos por dengue hemorrágica.
Epidemia
De acordo com a classificação do Ministério da Saúde, a epidemia se configura quando as taxas de incidência são superiores a 300 casos por 100 mil habitantes. De janeiro a 19 de março, a capital fluminense registrou 20.269 casos, ou 346 casos/100 mil habitantes.
Nos bairros onde a situação é mais crítica, a incidência chega a ser 20 vezes maior do que o mínimo necessário para caracterizar epidemia.
O prefeito do Rio, Cesar Maia, afirmou que os casos estão declinando. "Os números de confirmação de dengue por exames laboratoriais chegam defasados. Quando fazemos as correções por amostras e pelos exames laboratoriais, confirmamos que o pico se deu entre fins de janeiro e início de fevereiro e, nesse momento, estamos com curva declinante que só podemos confirmar em mais uns dias", afirmou.
"Mas podemos confirmar desde já que os novos casos de letalidade estão caindo com as medidas adotadas e esta é nossa prioridade máxima", acrescentou o prefeito.
O diretor-geral do Hospital Estadual Getúlio Vargas, Marcelo Soares, discorda da análise do prefeito. Sua expectativa é a de que a epidemia aumente com as chuvas.
Soares, que dirige o hospital que tem o maior número de leitos reservados para pacientes com dengue, disse que cerca de 80% das pessoas chegam à unidade com suspeita da doença.
"O pior é que a maioria dos casos acaba se confirmando, porque nos primeiros sete dias o exame de sangue ainda não detecta a dengue", disse ele, contradizendo o prefeito. Além da preocupação com o número de casos, Soares afirma que a letalidade da doença está maior, atingindo principalmente crianças.
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