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Preso legista acusado de ter clínica de aborto em SP

19/03 - 08:38 - Agência Estado

Um dos mais famosos médicos-legistas acusados de fornecer laudos para encobrir mortes sob tortura durante a ditadura militar, Isaac Abramovitch foi preso nesta terça-feira em uma ação coordenada pelos promotores do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. Desta vez, ele é acusado de manter uma clínica de aborto na Rua João Moura, em Pinheiros, na zona oeste.

Policiais e promotores chegaram ao local por volta das 17h30. Não conseguiram flagrar a realização de aborto. “Ele tinha um sistema interno de TV que torna muito difícil surpreender o momento do aborto”, afirmou o promotor Arthur Pinto de Lemos Junior, do Gaeco.

Mas, durante a revista da clínica e da casa do médico, os investigadores encontraram três armas, uma delas com silenciador, e remédios com prazo vencido de uso veterinário para a contenção de hemorragias.

Segundo o jornalista Ivan Seixas, da comissão de familiares de mortos e desaparecidos políticos, “Abramovitch é um médico comprometido com a tortura”. Foi ele que assinou o laudo sobre a causa da morte do estudante Alexandre Vannuchi Leme, primo de Paulo Vannuchi, ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos.

Alexandre morreu sob tortura no DOI de São Paulo. Para encobri-la, atestou-se que ele morreu atropelado. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".





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