12/03 - 17:52 - Agência Brasil
BRASÍLIA - O diretor do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior do Ministério das Relações Exteriores, Eduardo Gradilone, admitiu nesta quarta-feira que as autoridades brasileiras sabiam, desde 2006, que os países integrantes da União Européia iriam endurecer as regras para entrada de estrangeiros em seu território.
"Sabíamos que a aplicação de critérios mais rigorosos que tratam de estrangeiros na Europa poderia acarretar tratamentos injustos a inocentes que, talvez, não tivessem todos os requisitos [para entrada nos países da União Européia]", disse Gradilone, em entrevista coletiva, depois de participar de audiência pública da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados sobre a situação de brasileiros repatriados pela Espanha.
Segundo Gradilone, o ministério desenvolveu um sistema de cruzamento de informações para saber o número de brasileiros repatriados e está acompanhando com preocupação o aumento do número de casos.
"A alegação de todos os países, inclusive da Espanha, é de que o número de brasileiros barrados não é significativo em relação a outros países. No caso da Espanha, 3 mil brasileiros repatriados significa entre 1% e 2% do número total", explicou o diplomata.
Na opinião do deputado Ivan Valente (P-SOL-SP), um dos autores do pedido de audiência pública, o ministério não estava preparado para lidar com a situação: "Acho que faltou preparo, faltou retaguarda, e também acho que vai haver um recrudescimento - isso já está acontecendo na França, com governos conservadores, e a disputa eleitoral espanhola mostrou isso."
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