11/03 - 18:46, atualizada às 19:12 11/03 - Regina Bandeira - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - O embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidro, disse nesta terça-feira, durante reunião com membros da comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado, que houve equívoco na interpretação de um suposto xingamento sofrido por um brasileiro de um agente da imigração espanhola, que o teria chamado de cachorro. “Cachorro em espanhol é diferente que em português, significa filhote”, disse.
Para Peidro, as inadmissões e repatriações dos brasileiros na Espanha não foi um ato arbitrário, mas o cumprimento de regras européias. Segundo ele, de cada 100 brasileiros que entram na Espanha, apenas 1 é barrado.
“Não houve trato discriminatório contra os brasileiros. O que há são determinações da Comunidade Européia. Não fomos nós quem criamos as normas. Foi a Comunidade Européia, e elas são o que são”, disse o embaixador, que foi convidado pelo presidente da comissão, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), a explicar aos membros da comissão os recentes casos de brasileiros impedidos de entrar naquele país.
Conforto básico
Ele afirmou que os locais onde foram mantidos os brasileiros detidos tinham “conforto básico” e que foram oferecidos a todos contato com o consulado brasileiro.
“Mas, psicologicamente, eles devem ter se sentido muito frustrados; isso é justificável”, afirmou o embaixador, que disse ter a versão do outro lado.
Durante a reunião reservada, o embaixador mostrou ao presidente da comissão os relatórios elaborados pelos agentes da migração espanhola e admitiu que o órgão errou com a estudante Patrícia Camargo Magalhães, da Universidade de São Paulo.
Ele disse também que os brasileiros podem viajar tranqüilos, mas que devem procurar se informar quais são os documentos necessários para visitar o país. “As regras vão continuar”, alertou.
O presidente da comissão, senador Heráclito Fortes, adiantou que a estudante Patrícia Magalhães será convidada a dar seu testemunho na comissão, mas buscou minimizar o impacto do caso. “Houve um desconforto, mas não podemos chamar de crise. Devemos falar em reciprocidade, não em retaliação”.
Questionado sobre o caso de turistas espanhóis detidos e repatriados recentemente pela Polícia Federal, Heráclito disse estar havendo insatisfação dos dois lados. “Precisamos procurar caminhos para solucionar isso”, finalizou.
Nesta quarta-feira, a comissão ouvirá o ministro das Relações Exteriores, o chanceler Celso Amorim, sobre os recentes acontecimentos envolvendo a Colômbia, o Equador e a Venezuela. Mas, segundo o senador Heráclito Fortes, é bem possível que o assunto das detenções na Espanha seja colocado na pauta.
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