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Viúva de Marighella é considerada anistiada política

07/03 - 20:43 - Redação com Agência Brasil

BRASÍLIA - Na véspera do Dia Internacional da Mulher, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça aprovou nesta sexta-feira a concessão de indenizações a sete mulheres que foram perseguidas políticas entre 1946 e 1985. Uma das beneficiadas foi Clara Charf, viúva de Carlos Marighella, fundador da Aliança Libertadora Nacional (ALN). Aos 83 anos, ela terá direito a uma pensão vitalícia de R$ 2.520,00 por ter sido obrigada a deixar a profissão de aeromoça, em 1946, quando começou a ser perseguida pelo governo.

Clara participou nesta sexta da solenidade da Comissão de Anistia que julga processos em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Nancy Mangabeira Unger, irmã do ministro Roberto Mangabeira Unger, foi outra beneficiada com uma indenização em parcela única de R$ 100 mil.

“Ninguém pode negar que temos hoje uma liberdade democrática graças às lutas do passado”, disse Clara durante a sessão de julgamento que marca o Dia Internacional da Mulher.

Comunista, Clara viveu na clandestinidade por longo período e foi companheira de Carlos Marighella. Após a morte de Marighella, em 1969, exilou-se em Cuba. Hoje trabalha no Conselho Nacional dos Direito da Mulher e articula a rede Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo.

Marighella
Nascido no dia 5 de dezembro de 1911 em Salvador, na Bahia, Marighella tornou-se militante do Partido Comunista aos 18 anos, quando iniciou o curso de Engenharia na Escola Politécnica da Bahia. Em 1932, ele foi preso pela primeira vez, após escrever um poema contendo críticas ao interventor Juracy Magalhães.

Em São Paulo, Marighella passou a reorganizar os revolucionários comunistas atingidos pela repressão imposta por Getúlio Vargas. Em 1939, foi torturado na Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo. Negando fornecer qualquer informação à polícia, Marighella foi preso em Fernando de Noronha e Ilha Grande pelo seis anos seguintes.

Anistiado em abril de 1945, participou do processo de redemocratização do país e da reorganização do Partido Comunista na legalidade. Após a queda de Getúlio Vargas, Marighella elegeu-se deputado federal, mas teve o mandato cassado pelo governo de Eurico Gaspar Dutra.

Com o mandato cassado, Marighella foi obrigado a retornar à clandestinidade em 1948, condição em que permaneceria por mais de duas décadas, até seu assassinato em 1969, quando foi vítima de uma emboscada dos agentes do DOPS, em São Paulo.

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