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'Me sinto um animal abandonado', diz brasileiro deportado pela Espanha

07/03 - 12:34, atualizada às 13:12 07/03 - Redação com agências

SÃO PAULO - "Me sinto um animal abandonado", disse o vendedor Valter Vaz Lauwers, de 21 anos, ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Cumbica, na Grande São Paulo, na manhã desta sexta-feira.

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  • Com o rosto abatido e cansado, o capixaba narrou as quase 48 horas de tensão que passou no aeroporto de Madri, depois de ter a sua entrada na Espanha negada na quarta-feira.

    Lauwers faz parte do grupo de 30 brasileiros que foi barrado por agentes da imigração espanhola nos dois últimos dias. Nesta sexta-feira, 15 deles retornaram ao País. Um segundo grupo deve chegar ainda hoje ao País no começo da noite.

    "Tentei explicar..."

    Segundo Lauwers, os funcionários do aeroporto espanhol pediram para que ele seguisse até uma sala separada assim que olharam o seu passaporte brasileiro. O jovem conta que apresentou os documentos pedidos e o cartão de crédito, mas estava sem a passagem de volta, que havia sido comprada pelo tio em Portugal e só seria retirada no aeroporto daquele país. "Tentei explicar, mas eles disseram que não queriam saber da minha explicação", conta Lauwers.

    O capixaba diz que ficou na mesma sala até as 23h de quarta-feira sem comer ou beber e sem receber explicações. Após receber a notícia de que seria deportado, foi transferido para uma segunda sala com beliches, onde, segundo ele, havia muito mais gente do que camas, inclusive idosos e crianças. A primeira refeição que receberam era composta de "feijão frio, maçã e pão duro".

    O promotor de vendas Marcos Vinicius Silva dos Santos, de 23 anos, passaria sete dias em Paris com um amigo, mas também teve sua entrada na Espanha negada na Quinta-feira. Ao desembarcar em Cumbica nesta sexta, ele carregava apenas a mala de mão, já que sua bagagem seguiu direto para Paris. O brasiliense também falou sobre as más condições do quarto em que os brasileiros dormiram e disse que o local era equipado com câmeras e vidro fumê e não tinha água.

    Más condições

    A situação dos universitários brasileiros não é única. A cada dia centenas de imigrantes ficam retidos na sala de inadmitidos do aeroporto de Madri.

    "Temos inúmeros casos de profissionais qualificados, como uma médica nicaraguense que também foi deportada em agosto do ano passado e nós mesmos tentamos ajudá-la e foi impossível", disse a portavoz da ONG S.O.S Racismo.

    A organização reclama das condições do lugar onde os barrados ficam esperando a repatriação.

    Segundo a ONG, as salas medem 4m x 6m, tem pouca luz e nenhuma ventilação. Nos banheiros, falta papel higiênico e sabão e, apesar de ter ducha, os estrangeiros não têm acesso às suas malas.

    Portanto, segundo a ONG, ficam sem toalhas, nem objetos de higiene pessoal durante a permanência na sala, onde só podem fazer contato com uma assistente social e um defensor público.

    A polícia do aeroporto não quis comentar as críticas sobre a sala de espera de deportados.

    Medidas "apropriadas"

    As autoridades policiais do aeroporto de Barajas, em Madri, voltaram a afirmar, nesta sexta-feira, que o caso dos brasileiros não é discriminatório. "Não só brasileiros são barrados. As normas são as mesmas para todas as nacionalidades. Temos casos de pessoas estrangeiras que não cumprem nenhum dos requisitos legais e ainda apresentam informações sem comprovação", afirmou um porta-voz de polícia aduaneira espanhola.

    Na quinta-feira, o Itamaraty divulgou nota em que considerou as medidas adotadas pelas autoridades imigratórias da Espanha como incompatíveis com o bom nível do relacionamento entre os dois países e destacou que estuda medidas "apropriadas" em resposta ao ocorrido

    (*com informações da Agência Estado e BBC Brasil)

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