29/02 - 18:40, atualizada às 21:01 29/02 - Redação
A vereadora Soninha volta a ser alvo do PT nesta terça-feira, quando o partido entra na Justiça Eleitoral com uma nova ação para obrigá-la a devolver o mandato.
Eleita pelo PT em 2004, Soninha mudou-se para o PPS depois de março de 2007, prazo em que passa a vigorar a obrigação de devolver o mandato.
|
Divulgação |
|
|
|
Soninha, vereadora e apresentadora de TV |
A vereadora trocou de legenda e, segundo o PT, também de posição na Câmara: era integrante da bancada da oposição e agora integra as fileiras da situação. Soninha diz que, de seu ponto de vista, nada mudou. "Eu não fui para a situação, só voto com a minha consciência, mesmo quando era do PT eu era contra oposicionismo incondicional."
Embora a retomada do mandato esteja definida em lei, a decisão não é automática e precisa ser aprovada (ou não) por decisão da Justiça Eleitoral. Essa regra foi criada em Brasília com o argumento de que era preciso desestimular a dança de partidos, o que ajuda a criar as célebres legendas de aluguel.
A ação do PT destina-se a "agilizar" o julgamento. O prazo definido em instrução do TSE é de 60 dias depois que um partido entrou com o pedido de devolução. O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, também defende este prazo. "Entramos com esse pedido há mais de 90 dias e até agora o julgamento nem foi marcado," diz o vereador José Américo Dias, presidente do PT municipal.
Lembrando a eleição municipal no segundo semestre, José Américo observa que "se houver uma demora muito maior, a acão não irá surtir efeito. E é isso que precisa ser impedido," completa.
"O PT vota junto com o Maluf"
Soninha diz que acredita que vai vencer na justiça. A vereadora usará o argumento de que não foi ela quem mudou de posição, mas a sigla."Há quatro razões previstas em lei que justificam a mudança de partido, e uma delas é a transformação do programa. Qualquer juiz percebe que o PT mudou muito", afirma ela. "O PT, que sempre foi combativo, agora vota junto com o partido do Maluf, se descaracterizou completamente, está perto da direita".
Ela atribui a iniciativa do partido a dois fatores. "Como vou ser candidata à Prefeitura de São Paulo, o PT avalia que vou tirar votos da Marta Suplicy no eleitorado de classe média, o que é mentira, porque eu quero votos de todo o mundo", afirma Soninha.
"O outro problema é que eles querem me tirar da Câmara porque eu voto e trabalho como votaria e trabalharia o PT do passado. Eu incômodo, coisa que o PT não quer fazer mais."
Ela dá um exemplo: a Câmara Municipal votou um projeto que aumenta os salários do Tribunal de Contas do Município de São Paulo. No passado, segundo Soninha, o PT era contra o órgão porque ele era ineficiente e defendia, inclusive, sua extinção.
Agora, votou a favor de um projeto que, ainda de acordo com a vereadora, amplia o pacote de benefícios da instituição e não traz benefícios para a população. "Estou cada vez mais aliviada de ter saído do PT, porque eu não ia mudar minhas convicções como o PT mudou as dele."
No PT, recorda-se que a vereadora poderia ter preservado seu mandato integral se tivesse deixado o partido antes de março de 2007. Antes disso, ela decidiu disputar uma cadeira na Câmara de Deputados. Nâo se elegeu e deixou o partido meses depois.
Leia também:
Leia mais sobre: fidelidade partidária e Soninha
Publicidade
Para Kassab, PSDB e DEM vão saber avaliar aliança no primeiro turno