28/02 - 12:04 - Rodrigo Ledo – Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - A mudança de postura do PT, que quer "melar" o acordo sobre cargos na CPI mista dos cartões corporativos para o PSDB não ficar com a presidência, fará com que o presidente do Senado, senador Garibaldi Alves Filho (PDMB-RN), adie até terça-feira a indicação dos membros da comissão (e, portanto, o início dos trabalhos). A grande dificuldade dos líderes governistas é explicar a decisão petista e a nova estratégia do partido.
O presidente do Senado estendeu o prazo para que as lideranças partidárias componham a CPI mista lamentando a reviravolta no caso. Ele teme nova reação por parte do PSDB e DEM de forma a insistirem na criação de uma outra CPI dos cartões corporativos só no Senado.
“Se não prevalecer o acordo, vai haver uma CPI do Senado e uma mista, e a Câmara (onde o PT apresenta maior resistência ao acordo com o PSDB) só tem a perder com isso. O que a sociedade quer é o funcionamento da CPI. Parece até uma briga menor”, reclamou Garibaldi Alves Filho.
Resistência
O líder do PT na Câmara, deputado federal Maurício Rands (PE), tentou, mas não conseguiu esclarecer o motivo do recuo do acordo feito entre base aliada e oposição para dedicar a presidência da CPI mista ao PSDB - o PMDB cedeu o cargo. Ele somente repetiu o argumento de que o PT quer "a manutenção da regra do jogo", isto é, que as maiores bancadas no Senado e Câmara fiquem com relatoria e presidência de CPIs (no caso, PMDB e PT).
E uma das hipóteses que cogita para sair do impasse é inverter a ordem de escolha de cargos: o Senado se encarregaria de indicar a relatoria (que antes seria do PT da Câmara) e a Câmara ocuparia a presidência (que pelo acordo de quarta seria dos tucanos).
"O PT quer um formato [de CPI] que não fique desnaturando o objetivo da comissão, para que ela seja capaz de investigar", afirmou, para depois rechaçar qualquer receio da sua legenda ou do governo de destinar a presidência ao PSDB: "Nem o PT nem o governo temem nada".
O líder do governo na Câmara, deputado federal Henrique Fontana (PT-RS), ficou sem jeito diante dos jornalistas ao comentar a postura dos colegas petistas, porque na semana passada o próprio Fontana acusava a oposição de criar uma celeuma a cada dia para impedir o funcionamento da CPI". Ante a insistência dos repórteres, reiterou que o melhor seria o Congresso deixar as apurações de irregularidades para outros órgãos (como o Tribunal de Contas da União) e se dedicar à reforma tributária.
"Este é um tema em que a bancada do PT tem uma posição e eu, como líder do governo, procuro harmonizar", observou.
Já a líder do PT no Senado, senadora Ideli Salvatti, esquivou-se dizendo que não sabe o que aconteceu "lá no PT da Câmara" para se chegar a novo impasse. Ela cogitou, como causa do desentendimento, o discurso feito na quarta pelo líder do PSDB no Senado, senador Arthur Virgílio (AM), no qual o tucano teria sido muito duro com a base aliada logo após ter ganho do PMDB a presidência da comissão mista.
Leia também:
Leia mais sobre: CPI dos Cartões - PSDB
Publicidade
General rebate afirmações sobre impossibilidade de sigilo em cartões
Virgílio escreve carta a Lula pedindo abertura de gastos de ex-ministros da oposição
Garibaldi diz que embate entre governo e oposição na CPMI é antecipação das eleições
Deputados querem explicações de Álvaro Dias sobre dossiê na CPMI, diz relator