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Marisa Serrano aceita presidência da CPMI dos Cartões e evita polêmica com o PT

27/02 - 16:49 - Rodrigo Ledo e Severino Motta, do Último Segundo

BRASÍLIA - A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS) aceitou a presidência da CPMI dos Cartões Corporativos. Segundo o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), ela foi escolhida pelo desempenho destacado como relatora do processo disciplinar contra o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL). Marisa foi diplomática na primeira entrevista como relatora e disse que não deverá ter problemas com o relator do PT.

 

“Quero fazer o trabalho com o máximo de tranqüilidade, lisura e seriedade. Quem me conhece sabe que posso ser dessa forma”, declarou a senadora, que é vice-presidente nacional do PSDB.

Segundo o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, a escolha de Marisa não tem nada a ver com rumores de que seu nome seria mais bem aceito pelo Palácio do Planalto.

"A senadora é firme, séria, sóbria, experiente, preparada e vai fazer um grande trabalho. Será presidente para investigar o que apareça de irregularidade", disse Virgílio, ressaltando que "neutra ela não é, porque não está em dúvida sobre a apuração rigorosa dos fatos e a impunidade".

Detalhes

Marisa Serrano evitou fazer qualquer consideração antecipada sobre a condução da CPI mista dos Cartões. Ela desconversou, por exemplo, sobre qual período seria investigado primeiramente - já que petistas indicaram a isposição de começar apurações pelo governo Fernando Henrique Cardoso.

"Não conversei com o relator ainda, seria prematuro dizer por onde começar", disse. Questionada se respeitaria o sigilo dos gastos de cartões dos presidente Lula e Fernando Henrique, também foi cautelosa. "Isso ainda vai ser discutido na CPI. Vai depender do tipo de ação que vai ser tomada pela comissão. Ainda não sei o limite da investigação nesse caso", comentou, lembrando que os partidos deverão indicar até a próxima semana os parlamentares integrantes da CPMI.

Jarbas recusa cargo

Virgílio chegou a oferecer o posto ao senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) que recusou a oferta.  Segundo ele, aceitar o cargo traria divergências dentro de seu partido e poderia retardar ainda mais a instalação da comissão. O nome de Vasconcelos seria uma tentativa de minimizar os conflitos. Isso porque apesar de pertencer a um partido da base governista, Jarbas tem uma postura política de independência.

PT critica acordo

Desde o início da tarde desta quarta-feira, quando o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) oficializou o acordo e cedeu para a posição a presidência da CPMI, uma série de descontentamentos começou apareceu no PT da Câmara.

O deputado Marco Maia (PT-RS) criticou duramente o acordo e chegou a dizer que se fosse ele o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), indicado para ser o relator da comissão, abriria mãe da vaga.

“Se pudesse dar um conselho ao Luiz, diria para ele abrir mão da relatoria. Que o PSDB assuma essa vaga e que eles façam o que querem com a CPI, que é uma palhaçada”, disse.

O líder no PT na Câmara, Maurício Rands (PE), já convocou uma reunião de seu partido para esta noite. Ele reafirmou que o correto seria obedecer o regimento e manter a proporcionalidade, o que daria a presidência ao PMDB e a relatoria ao PT.

Frente ao novo quadro, Rands disse que fará avaliação com a bancada para analisar que tipo de ação será tomada.

CPI do Senado

Mais cedo, o PMDB, que tinha direito à presidência da CPI por ser o maior partido no Senado, cedeu o cargo para o PSDB para evitar uma segunda CPI na Casa e acelerar os trabalhos.

A concessão, segundo Virgílio, não significa que a CPI no Senado esteja descartada.

"A CPI do Senado não morreu. Há o compromisso apenas dela não ser lida agora. Vamos ver como fica a investigação na CPI mista", disse o senador tucano.

Já o líder do DEM no Senado, Agripino Maia, acha que a divisão do comando da CPI mista encerra uma segunda comissão.

"Para mim, é o fim da CPI do Senado. Não há necessidade disso mais".

Cartões Corporativos 

A polêmica sobre o uso dos cartões corporativos se arrasta desde o dia 13 de janeiro, quando dados da Controladoria Geral da União (CGU), divulgados em reportagem do jornal "O Estado de S.Paulo", revelaram que o governo Lula havia batido recorde de gastos nesta modalidade em 2007 - tendo um aumento de 129% em relação a 2006.

Desde então, o governo mudou as regras para gastos com os cartões, uma ministra caiu após pagar compras em um free-shop com o cartão corporativo e, no Congresso, oposição e governo anunciaram a criação de uma CPI Mista para investigar eventuais abusos.

 

(*Com informações da Reuters)

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