26/02 - 09:36 - Redação
CATANDUVA - A Associação de Assistência São Vicente de Paulo presidida pelo pré-candidato a vereador pelo PDT Francisco Batista de Souza, o Careca, recebeu em dezembro a primeira parcela do convênio de cooperação técnico-financeira com o ministério, no valor de R$ 367 mil. O dinheiro foi comandado por Carlos Lupi, presidente nacional do PDT. Ao todo, o asilo de idosos foi beneficiado pelo Ministério do Trabalho e Emprego com um convênio de R$ 3,675 milhões para gerenciar cursos de qualificação profissional de jovens. As informações são do Jornal "O Globo".
No entanto, de acordo com a reportagem, os únicos cursos que a entidade já ministrou foram para os filhos de mães desamparadas que vivem no asilo.
Segundo o presidente da ONG, as aulas de qualificação foram canceladas por orientação do Ministério Público já que eram destinadas a menores de 16 anos, o que é ilegal. " É difícil fazer o bem", afirmou Souza.
O pré candidato admitiu que só a partir de março deverá abrir licitação para criar os cursos de qualificação profissional. Ele afirma que dois mil jovens receberão ajuda de custo para freqüentar as aulas nos municípios de Catanduva, Itápolis e Jaboticabal.
Souza filiou-se em setembro de 2007 ao PDT, três meses antes de receber a verba autorizada pelo ministro Carlos Lupi. De acordo com ele, seu ingresso no PDT foi a convite do deputado licenciado e secretário do Trabalho do município de São Paulo, Geraldo Vinholi (PDT), que também é presidente do partido em Catanduva e virtual candidato a prefeito da cidade.
A direção estadual do PDT, presidida pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, pediu que ele deixasse o cargo na prefeitura. Segundo Careca, Vinholi influenciou na aprovação da verba do Ministério do Trabalho. "Fiz mesmo um pedido, não sei se teve peso ou não, mas não defendi a entidade do Careca", disse Vinholi.
Segundo o secretário, não foi tráfico de influência, mas um pedido informal, numa reunião em Brasília.
ONG recebe verba antes de funcionar
Nos fundos de uma casa da Rua Mombaça, na periferia de Guarulhos, Grande São Paulo, teria funcionado durante oito anos o Inesp, apesar de ninguém ter ouvido falar. A entidade assinou em 28 de dezembro convênio de R$ 5,5 milhões com o Ministério do Trabalho para qualificação profissional de 2.500 jovens.
"Moro aqui há anos e nunca soube que funcionava uma empresa ou uma escola. Sei que tem um quarto com carteiras, mas não funciona nada ali", afirmou Valéria, que não quis dizer o seu sobrenome, mas disse que vive no local há pelo menos três anos com a mãe, a irmã e a filha.
O Inesp é uma das 16 entidades próximas ao PDT e beneficiadas com verbas do ministério comandado por Lupi. Em 2007, dos R$ 158 milhões em convênios autorizados pela pasta, ao menos R$ 90 milhões foram destinados a 16 entidades cujos dirigentes são parentes, filiados ou doadores de campanha de pessoas ligadas ao partido.
Comissão de Ética pede que Lupi se defenda
A Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu, na segunda-feira, intimar Lupi a se explicar, em um prazo de até dez dias, sobre as novas denúncias.
A reunião serviu também para a troca de comando na comissão, que passa a ser presidida pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence no lugar de Marcílio Marques Moreira.
Múcio defende Lupi
O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, defendeu o colega afirmando que Lupi não beneficiou tais entidades. "Ele é político e faz política e atende todos os partidos de forma suprapartidária", disse.
A Comissão de Ética Pública sugeriu, no final de 2007, a demissão de Lupi ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ainda não obteve uma resposta. Para a comissão, o acúmulo por Lupi dos cargos de ministro e presidente nacional do PDT gera conflito de interesses.
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