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Combinação de drogas e remédios matou Ryan Gracie, diz laudo do IML

21/02 - 17:19, atualizada às 18:21 21/02 - Juliana Simon, do Último Segundo

SÃO PAULO - O laudo do Instituto Médico Legal de São Paulo (IML), divulgado nesta quinta-feira, confirmou que o lutador Ryan Gracie morreu devido a uma combinação de drogas e remédios. O lutador ingeriu cocaína e maconha antes de ser preso e depois foi medicado pelo psiquiatra Sabino de Farias Neto. Segundo o delegado do 91º DP, Roberto Calaça Vieira, responsável pelo caso, o médico deverá ser indiciado por homicídio culposo.

De acordo com o médico legista do IML Laércio de Oliveira, o resultado não é uma prova de que o psiquiatra agiu de forma equivocada ao medicar o lutador. “Não houve overdose, e sim uma combinação. A conduta do médico só vai ser julgada pelo Conselho Regional de Medicina”, afirma.

“Até isoladamente e em doses terapêuticas esses remédios podem causar depressão do sistema nervoso. Os efeitos dependem da idade, sexo, peso e doenças preexistentes”, completou.

Uso de drogas

O laudo confirmou o uso de drogas como maconha e cocaína, que foi consumida em forma de pó, crack e injeções. Segundo o médico legista, foram encontrados 12 pontos no cotovelo de Gracie, o que indicaria o consumo da droga na forma de injeções.

"Constatamos problemas cardíacos em Gracie, possivelmente ocasionado pelo consumo de cocaína", disse o Dr. Laércio. 

Medicamentos

No corpo de Gracie foram encontrados sete medicamentos diferentes. O lutador, que era viciado em calmantes como Dormonid e Frontal, fez uso desses medicamentos no dia de sua morte. Além disso, seu psiquiatra deu doses terapêuticas dos antipsicóticos Aloperidol e Leporex e do anti-alérgico Fernegan.

O médico de Gracie relatou ao legista que havia administrado também doses de Diazepan (tranqüilizante), Captopril (contra hipertensão) e Dopalax, mas esses não foram apontados no exame cadavérico. Segundo o legista, “é possível que esses medicamentos não sejam detectados, mas eles podem ter agravado o quadro do paciente”.  

Punição para o médico

Segundo o delegado do 91º DP, Roberto Calaça Vieira, o médico deverá ser indiciado por homicídio culposo. “Agora ficou simples para nós convidarmos o médico a prestar depoimento. na nossa visão, tudo indica que se não houvesse a administração desses remédios, a morte de Ryan Gracie poderia ter sido evitada”.

O delegado afirmou que em nenhum momento o Dr. Sabino alegou a necessidade de encaminhar Ryan para um hospital. "Se tivesse dito que era necessário ele teria sido levado", disse Calaça. O médico pode ser condenado de 1 a três anos de prisão em regime fechado.


Entenda o caso

No dia 14 de dezembro, Ryan Gracie foi detido suspeito de ter entrado em um Corolla e dominado o motorista com uma faca. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, ele se dizia perseguido pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ryan assumiu a direção e bateu o veículo. Após a colisão, ele teria tentado apoderar-se de uma moto. No entanto, ao abordar o motoboy com uma faca, ele reagiu e desferiu-lhe um golpe na cabeça com o capacete. Ajudado por outros motoboys, o motociclista dominou Gracie e chamou a polícia, que o levou ao 15º DP.

Depois de depor, o lutador foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para fazer o exame toxicológico e de corpo-delito. A família de Gracie chamou o psquiatra Sabiano de Farias, que já havia cuidado do lutador em outro momento, para medicá-lo no DP.

O lutador foi encontrado morto na cela na madrugada do dia 15 por policiais da delegacia.

Saiba mais sobre Gracie

Ryan Gracie é membro da família Gracie, do patriarca Hélio Gracie, precursor do jiu-jítsu no Brasil. O lutador é pentacampeão mundial do Pride, o torneio mais importante do mundo do jiu-jítsu.

Band News
Em 2000, o ‘bad boy’ da família Gracie se envolveu em uma confusão e passou 18 dias preso no Rio de Janeiro, acusado de esfaquear um estudante em uma festa. Cinco anos depois, em São Paulo, ele teria agredido fisicamente um policial e ofendido uma delegada do 78º DP, na região dos Jardins.

 

 

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