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Conflito em terra indígena termina com prisão de suposto seqüestrador no PA

21/02 - 16:11 - Agência Brasil

Brasília - O conflito entre índios e colonos que moram próximos à Reserva Indígena do Alto Rio Guamá terminou na madrugada desta quinta-feira com a prisão do ex-vereador do município paraense de Garrafão do Norte Manoel Evilásio e outras três pessoas.


Eles resistiam à entrada das polícias Federal, Militar e Civil no povoado de Livramento, onde eram mantidos reféns o filho do cacique Joca Tembé e um enfermeiro que trabalha no Pólo de Saúde de uma das aldeias da reserva.

Manoel é apontado como um dos mandantes do seqüestro do filho do cacique e do enfermeiro.

De acordo com o administrador da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Belém, Juscelino Bessa, cerca de 100 pessoas colaboravam com o seqüestro, que teria sido motivado por causa da reabertura de uma estrada nas terras indígenas.

"Havendo uma estrada interna, que foi, na verdade, construída pelos próprios invasores (os colonos), nem nós (da Funai), nem os índios, precisaríamos mais passar pelos vilarejos que ficam nos limites das terras. A estratégia da Funai vai ser garantir essa reabertura", explicou Bessa.

A passagem pelos vilarejos, segundo o administrador, assegura aos colonos a vigilância da área.

Uma das líderes indígenas da reserva, Puíra Tembé, informou que conflitos como esse são comuns em anos eleitorais.

“Eles atuam como laranjas de madeireiros e em conjunto com políticos da região que prometem aos colonos a posse da terra, caso resistam, já que antigamente eles moravam dentro da nossa terra”, denunciou.

Bessa concorda com a líder indígena. Segundo ele, o conflito teve viés eleitoral e a pacificação é momentânea. "Essa história não acaba aqui. Estes conflitos são recorrentes, nós estamos apenas em fevereiro, e temos aí sete meses para as eleições. E, logicamente, outros problemas virão à tona. Vamos continuar atuando por aqui", promete.

As lideranças da terra indígena estão reunidas na Aldeia São Pedro, onde devem se encontrar ainda hoje com o procurador-geral da República no estado do Pará, Felício Pontes, para definir uma agenda de ações para desocupação dos colonos da reserva e evitar novas invasões.

Leia mais sobre: Índios - Pará





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