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“A Igreja Universal respeita a liberdade de Imprensa e os jornalistas”, diz nota oficial

20/02 - 11:16 - Redação

RIO DE JANEIRO - A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) respondeu, na noite de terça-feira, às críticas sobre processos movidos por seus fiéis e pastores contra a “Folha de S. Paulo” e a jornalista Elvira Lobato. Os autores das ações judiciais alegam que uma matéria de Elvira publicada em 13 de dezembro no jornal seria ofensiva.

Em nota oficial, a entidade religiosa, que afirma ter mais de cinco milhões de fiéis e estar presente em 170 países, diz respeitar a liberdade de imprensa. “A IURD respeita a liberdade de Imprensa, os jornalistas e suas entidades representativas, porém, não admite que reportagens sejam usadas para ofensas de outras garantias constitucionais como a dignidade da pessoa humana, o acesso à Justiça, à liberdade de crença e à inviolabilidade da honra”, diz o texto.

Os processos movidos se baseiam em uma frase da reportagem, que afirma que o dinheiro do dízimo dos fiéis pode estar sendo “esquentado” em contas no exterior de empresas ligadas à IURD. De acordo com a jornalista, a existência de uma conta em um paraíso fiscal ligada à entidade foi comprovada. Os fiéis e pastores alegam, no entanto, que a insinuação os ofende.

Segundo a nota, “fiéis de várias partes do país estão procurando a IURD para manifestar seu repúdio em relação às notícias classificadas como lamentáveis, publicadas por veículos de comunicação, especialmente no que se refere à origem e destinação de seus dízimos. O dízimo é um aspecto da liberdade de crença consagrada pela Constituição Federal. A Imprensa deve atuar com responsabilidade e não pré-julgar, manipular ou condenar precipitadamente”.

A jornalista nega que sua matéria seja ofensiva. “É uma matéria técnica, que teve dois meses de investigação. Em nenhum momento ofendi a Igreja”, explicou.

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) já divulgaram nota repudiando as ações.

Ações com muitas semelhanças

A igreja nega que as mais de 50 ações movidas em várias cidades do País tenha sido uma ação articulada. “A IURD já ingressou com suas ações judiciais e não tem qualquer interesse de orquestrar e incentivar processos individuais por parte de seus fiéis”, diz.

A nota não explica, no entanto, a semelhança entre os processos, todos pedindo indenizações por danos morais e com trechos muito parecidos. No domingo, uma reportagem de 14 minutos do programa Domingo Espetacular, da Rede Record, pertencente à IURD, tenta explicar as semelhanças. Segundo um jurista entrevistado, as indenizações por danos morais seriam porque todos os autores de ações se sentiram igualmente ofendidos e os trechos semelhantes, porque todos procuraram orientação jurídica da IURD.

Nem a nota nem a reportagem explicam, no entanto, o fato de os fiéis terem afirmado ouvir deboches idênticos nas ruas de suas cidades. Em quase todos os processos, em mais de 50 cidades diferentes, os autores dizem ter ouvido a declaração “Viu só! Você é um trouxa de dar dinheiro para essa igreja! Esse é o povo da sua igreja? Tudo safado! Como é que você continua nessa igreja? Você não lê jornal? Crente é tudo tonto mesmo!”.

Devido a semelhanças como essa, a jornalista Elvira Lobato acredita que tenha realmente havido uma ação articulada pela IURD. “Como é que um fiel do sertão da Paraíba vai usar a mesma frase que um do interior da Amazônia?”, questionou ela. A repórter disse ainda que em algumas das localidades onde foram abertos processos a "Folha de S. Paulo" nem circula.

Processos também contra “O Globo”

Após uma matéria publicada no jornal “O Globo” no último dia 14 sobre os processos contra a “Folha”, alguns fiéis da IURD também resolveram processar o jornal carioca. Eles alegam que a palavra “seita” utilizada na reportagem seria ofensiva.

Alguns desses fiéis foram entrevistados na reportagem de domingo da Rede Record. A matéria também apresenta a definição da palavra do dicionário Houaiss como “partido, bando, seita ou facção”. A nota da IURD também se refere ao termo com esse significado.

“A IURD não está à margem da sociedade. É uma entidade regularmente constituída, conforme a legislação brasileira, que deve ser respeitada como todas as outras denominações religiosas no estado democrático de direito. É inaceitável que, no uso de suas prerrogativas, a mídia utilize denominações ofensivas e preconceituosas como seita, bando e facção em referência à IURD”.

A reportagem e a nota ignoram, porém, o outro significado da palavra apresentado pelo mesmo dicionário, a de “conjunto de pessoas que professam a mesma doutrina”.

Leia mais sobre: igreja - liberdade de imprensa





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