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Combinação de remédios causou a morte do lutador Ryan Gracie, diz TV

18/02 - 09:33, atualizada às 10:13 18/02 - Redação

SÃO PAULO - A perícia realizada no corpo de Ryan Gracie indica que o lutador teve uma morte não natural, provocada por uma combinação de drogas e remédios. Gracie morreu na madrugada do dia 15 de dezembro em uma delegacia de São Paulo. As informações são do "Fantástico".

De acordo com a reportagem do programa, o laudo toxicológico realizado no corpo de Gracie mostra que ele tinha consumido maconha e cocaína. Os medicamentos que foram aplicados no lutador, depois de preso, também aparecem nos laudos. São eles: midazolan, alprazolan, prometazina, clozapina, haloperidol.

O laudo indica ainda que as doses dadas foram terapêuticas. No entanto, segundo o promotor que investiga o caso, Paulo D´Amico Jr., a combinação desses remédios, e não as doses, foram as causas da morte. "Reunidos num coquetel, os remédios afetaram a situação do coração do Ryan Gracie", afirmou.

D´Amico Jr. disse ainda que o coração do lutador era "sofrido", em razão do histórico de dependência de drogas.

As medicações foram administradas pelo psiquiatra Sabino de Farias Neto. “Há 31 anos eu atendo pacientes que usam maconha, cocaína, bebida e uso medicações exatamente nesse nível”, afirmou o médico, que disse ainda que os remédios dados foram de rotina.

Um psquiatra da Unifesp, que não tem relação com o caso, foi ouvido pelo Fantástico para explicar os efeitos desses medicamentos no corpo humano. “O que mais chama a atenção é a quantidade de drogas que foram usadas ao mesmo tempo. Uma interage com a outra e pode aumentar o número de efeitos colaterais, principalmente, o cardíaco. O coração pode começar a bater fora do ritmo, entrar em algum quadro mais grave, que pode levar à parada cardíaca”, disse Marcelo Feijó de Mello. O uso anterior de cocaína também pode ter piorado ainda mais o quadro clínico.

Nesta semana, os legistas irão revelar a causa da morte de Ryan Gracie - provavelmente uma parada cardiorespiratória - com base na análise do laudo toxicológico.

O promotor vai esperar a divulgação oficial da causa da morte para denunciar o médico, que poderá responder por homicídio culposo, sem intenção de matar. D´Amico Jr. considera ainda a hipótese de homicídio doloso. “Doutor Sabino assumiu o risco de produzir a morte de Ryan Gracie naquelas condições que o Ryan se encontrava”, afirmou o promotor.

O advogado do médico, Pedro Lazarini Neto, nega a culpa de seu cliente. "Os medicamentos não contribuíram para a morte de Gracie". Segundo Neto, a responsabilidade é do Estado. "Antes de chegar ao DP deveriam encaminhá-lo ao pronto socorro", disse.

O psiquiatra Farias Neto afirma que está angustiado esperando o laudo final. "Estou triste porque eu fui para salvar vida”, disse.

Entenda o caso

No dia 14 de dezembro, Ryan Gracie foi detido suspeito de ter entrado em um Corolla e dominado o motorista com uma faca. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, ele se dizia perseguido pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ryan assumiu a direção e bateu o veículo. Após a colisão, ele teria tentado apoderar-se de uma moto. No entanto, ao abordar o motoboy com uma faca, ele reagiu e desferiu-lhe um golpe na cabeça com o capacete. Ajudado por outros motoboys, o motociclista dominou Gracie e chamou a polícia, que o levou ao 15º DP.

Depois de depor, o lutador foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para fazer o exame toxicológico e de corpo-delito. A família de Gracie chamou o psquiatra Sabiano de Farias, que já havia cuidado do lutador em outro momento, para medicá-lo no DP.

O lutador foi encontrado morto na cela na madrugada do dia 15 por policiais da delegacia.

Saiba mais sobre Gracie

Ryan Gracie é membro da família Gracie, do patriarca Hélio Gracie, precursor do jiu-jítsu no Brasil. O lutador é pentacampeão mundial do Pride, o torneio mais importante do mundo do jiu-jítsu.

Em 2000, o ‘bad boy’ da família Gracie se envolveu em uma confusão e passou 18 dias preso no Rio de Janeiro, acusado de esfaquear um estudante em uma festa. Cinco anos depois, em São Paulo, ele teria agredido fisicamente um policial e ofendido uma delegada do 78º DP, na região dos Jardins.

Leia mais sobre: Ryan Gracie

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