16/02 - 03:51, atualizada às 07:47 16/02 - Redação
SÃO PAULO - Escutas telefônicas autorizadas pela Justiça Militar de São Paulo revelam o modo de atuação de policiais militares da zona norte de SP suspeitos de integrar um grupo de extermínio. As gravações mostram, segundo a investigação, como esses PMs obtêm dados sobre seus possíveis alvos de ataque. As informações são do jornal “Folha de S.Paulo”.
Com a ajuda da Polícia Federal, as escutas, pedidas pela Corregedoria da PM, mostram os policiais trocando informações sobre pessoas possivelmente envolvidas em crimes, como número de RG, ficha de antecedentes e placas de veículos. Com os dados, esses policiais, segundo a investigação da Corregedoria, vão atrás de fotos dos supostos criminosos para atacá-los nas ruas.
A investigação começou em julho de 2007. Dos policiais investigados, um está preso e é suspeito de envolvimento na morte do coronel José Hermínio Rodrigues há um mês. Os demais continuam trabalhando normalmente.
Em uma das gravações, o soldado Paschoal dos Santos Lima, segundo reportagem da "Folha", conversa com outros policiais da zona norte para levantar dados de ao menos sete homens, que estariam envolvidos no roubo de uma moto e duas armas de outro PM da área, chamado Sérgio.
Nas conversas gravadas, o soldado pede para que o sargento Crispilho arrume número de RG e placas de carros e motos e diz que iria levantar as fotos dos suspeitos para ir atrás deles. Lima fala também que os suspeitos iriam ser pressionados "por um policial civil truta [amigo] do 73º DP [Jaçanã]", que cuidava do roubo da moto e das armas do PM Sérgio. Lima diz que "tem que sentar o aço” (atirar).
Os grampos também mostram que os sete procurados são dos bairros Jardim Elisa Maria e Jardim Damasceno, ambos na zona norte e onde ocorreram chacinas em 2007.
A Corregedoria não se manifestou sobre essa investigação. Na sexta-feira, o promotor Neudival Mascarenhas Filho, assessor da Procuradoria Geral de Justiça, passou a investigar se os sete homens citados pelos PMs no grampo foram mortos ou não.
Morte do coronel
Denunciado à Corregedoria da PM em 6 de julho de 2007 por suposto envolvimento na morte de Juarez Gomes Ribeiro, 36, o Pingo, em 29 de junho, Lima só foi preso nove dias após o assassinato do coronel.
Pingo, segundo a carta que denunciou Lima à Corregedoria, seria traficante e "estaria atrapalhando o jogo do bicho na zona norte". Pingo tinha passagens pela polícia por roubo e tráfico de drogas.
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