15/02 - 13:53, atualizada às 18:19 15/02 - Bárbara Skaba, do Último Segundo
Em seu Ex-Blog nesta sexta-feira, o prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), declarou que o impacto do boicote ao Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), incentivado por associações de moradores, foi “quase desprezível”. Segundo ele, analistas da prefeitura chegaram à conclusão de que a arrecadação real do IPTU em 2008 será um recorde. O movimento que defende o boicote, no entanto, contesta os dados.
Cesar Maia escreveu que “projetando até o final de fevereiro, mês completo, a arrecadação de 2008 certamente superará a de 2007”. Ele admite que houve aumento no parcelamento, mas atribui o fato à diminuição da taxa de desconto para pagamento à vista de 10% para 7%. “O efeito boicote do IPTU foi quase desprezível, quando muito pode ter chegado a 1 milhão de reais ou 0,1%”, acrescentou.
Para o prefeito, o suposto fracasso do movimento se deve à “racionalidade econômica dos contribuintes”, que “sabem que o IPTU é o único imposto que é pago de qualquer maneira, pois é garantido pelo próprio imóvel”.
Ele também acredita que a polêmica em torno do IPTU “serviu para chamar a atenção sobre o pagamento do imposto” e teria “funcionado como uma publicidade sobre o tema, e levado as pessoas a discutirem entre si numa intensidade muito maior, o que produziu esta arrecadação recorde e decisão racional olhando o bolso”.
O movimento que propôs o boicote em protesto contra a desordem urbana, no entanto, contesta os números do prefeito. Segundo Augusto Boisson, um dos coordenadores do movimento Rio Cidade Legal e presidente da Associação de Proprietários de Prédios do Leblon, Cesar Maia está “maquiando” os dados.
“Já esperávamos que ele fizesse isso. Ele sempre faz umas contas mirabolantes para cansar as pessoas. Mas não podemos acreditar em um blog e em contas megalomaníacas do prefeito. Logo no ano do boicote houve um aumento na arrecadação? Tem alguma coisa errada”, afirmou.
A vereadora Andrea Gouvêa Vieira (PSDB), refez as contas e acredita que os dados possam estar corretos, mas critica a "falta de transparência", do prefeito. Segundo ela, o Fincon - registro contábil oficial da prefeitura - não havia sido atualizado até esta sexta e os dados divulgados por Cesar Maia eram inéditos. A vereadora acredita que a prefeitura deveria deixar as contas públicas à disposição da população.
Segundo Boisson, mesmo que os números estejam corretos, isso não é considerado uma derrota pelo movimento. "Esses dados referem-se a quem pagou cota única. Quem faz isso são os ricos, que não querem se envolver. Mas a maioria da população, que faz pagamento parcelado, ainda pode aderir ao boicote", explicou.
No domingo, o movimento fará uma manifestação no Méier, a partir das 9h. Boisson acretida que Cesar Maia quer desestabilizar as associações. "Ele deixou para divulgar esses dados nas vésperas (da manifestação) para enfraquecer o movimento", disse.
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