12/02 - 16:25 - Redação com Agência Estado
SÃO PAULO - O presidente do PTB, Roberto Jefferson, prestou depoimento no processo do caso do mensalão, na 7ª Vara Criminal Federal do Rio, em tom mais moderado do que o que assumira no início do escândalo, em 2005.
Embora tenha confirmado em termos gerais a existência do pagamento de propinas a deputados em troca de apoio ao poder executivo, o deputado cassado evitou fazer acusações diretas a outros acusados, alegando estar depondo como réu, não como testemunha.
Segundo ele, o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, como ministro político do governo, sabia de tudo o que se passava. Mas não foi muito direto nessa acusação.
Jefferson também rejeitou a proposta do juiz Marcelo Granado de delatar outros envolvidos em troca de benefícios no processo. "Delação premiada é coisa de vagabundo", declarou o ex-deputado aos repórteres na saída.
Ao chegar para depor, Jefferson afirmou pretendia pedir a convocação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para depor, além de muitos outros ministros com os quais ele teria conversado antes do escândalo do mensalão. "Vou pedir ao presidente Lula que reafirme o que eu disse a ele no Palácio", afirmou.
Em seu depoimento, Jefferson chegou a elogiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele disse que, depois de contar ao presidente sobre o mensalão, Lula ficou indignado. O ex-deputado declarou que houve, a partir daí, diminuição nos pagamentos, o que teria coincidido com a insatisfação de deputados que culminou com a eleição de Severino Cavalcanti (PP-PE) para a presidência da Câmara.
No entanto, o ex-deputado disse que aquela derrota do governo aconteceu principalmente porque o PT havia indicado "uma mala" para concorrer. Ele se referia ao ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, cujo nome ele disse não lembrar, mas que definiu como "antipático".
Jefferson manteve apenas o tom duro em relação ao PT e repetiu que o partido oferecera R$ 20 milhões ao PTB em troca de apoio nas eleições de 2004. Segundo o ex-deputado, apenas R$ 4 milhões foram entregues e distribuídos entre candidatos do seu partido. Em troca, petebistas apoiaram candidatos do PT em várias capitais.
O presidente do PTB disse ter se queixado na época com o então presidente do PT, deputado José Genoino (PT-SP), e com o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares sobre a necessidade de legalizar a contribuição em dinheiro. "Nossa divergência começou aí", afirmou. O patologista aproveitou o final do seu depoimento para atacar o Ministério Público e a Polícia Federal.
Cartão corporativo x Mensalão
"É muito pior o cartão corporativo que o mensalão. Até botox vai aparecer, seja de homens ou mulheres importantes. Fernando Henrique está enrugadinho porque não usou o cartão", disse, completando que "essa transparência é pior do que lingerie de bordel".
O comentário de Jefferson foi feito assim que ele chegou ao prédio da Justiça Federal. Ele presta depoimento hoje ao juiz Marcelo Granado, da 7ª Vara Criminal Federal, em processo sobre o mensalão.
"Se esse cartão corporativo tivesse sido distribuído pelo PT há três anos e tivesse sido estabelecido um limite de R$ 30 mil, ficaríamos só no cartão e economizaríamos o escândalo do mensalão", disse.
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