12/02 - 17:29 - Reuters
RIO DE JANEIRO - Um dos protagonistas do escândalo do mensalão, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, confirmou nesta terça-feira à Justiça ter recebido 4 milhões de reais do PT em 2004. 'O PT assumiu compromisso de financiar a candidatura de vereadores e prefeitos do PTB no Brasil. O PT alardeava que tinha um caixa de 120 milhões de reais. Recebi do PT 4 milhões para as eleições de 2004 numa relação de confiança que foi quebrada', disse Jefferson ao juiz Marcelo Granado, da Justiça Federal do Rio de Janeiro, no processo em que é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
"Esperava que o dinheiro fosse legalizado. Falava para o Genoíno, vamos legalizar, pois era muito dinheiro para ficar no caixa 2", acrescentou Jefferson.
O ex-deputado afirmou que o PT repassava dinheiro mensalmente.
"A conversa no cafezinho era de quinta categoria", disse Jefferson, referindo-se ao que seriam negociatas entre os parlamentares. "Eu disse ao (Antonio) Palocci (ex-ministro da Fazenda), ao Ciro (Gomes, ex-ministro da Integração Nacional), ao Miro (Teixeira, ex-ministro das Comunicações) e ao (Luiz) Gushiken (ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência) que a coisa ia pipocar, que eles estavam fazendo algo terrível."
Jefferson disse que o acordo que fez com o PT previa o repasse de 20 milhões de reais e que cobrou os 16 milhões restantes do presidente do PT, José Genoíno, e do tesoureiro do partido, Delúbio Soares.
O presidente do PTB reiterou ter contado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a existência do esquema, em janeiro e março de 2005, e que ele ficou estarrecido e com lágrimas nos olhos.
"O presidente Lula foi apanhado de surpresa mas seus ministros já sabiam. A fonte do mensalão secou mais tarde e abriu uma crise por ação do presidente Lula", disse Jefferson.
"Até Botox vai aparecer"
Em entrevista aos jornalistas, Jefferson afirmou que o mensalão "é fichinha" perto das denúncias sobre o mau uso do cartão corporativo por integrantes do governo.
Segundo ele, integrantes do governo usaram o cartão corporativo até para colocar botox.
"Se não houver um acordão, até botox vai aparecer no cartão", disse ele antes do depoimento na Justiça Federal .
Ao ser questionado de como saberia dessa informação, Jefferson se esquivou e disse que é um rumor forte e que não queria entrar em detalhes.
"Há botox de homens e mulheres", acrescentou. "É gente importante do governo."
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