07/02 - 18:52 - Eduardo Bresciani - Último Segundo/ Santafé Idéias
BRASÍLIA - Rápido no gatilho ao conseguir protocolar ainda na quarta-feira a CPI do Cartão apenas no Senado, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), terá de refazer o trabalho. Após conseguir o apoio de 32 senadores, ele alterou o requerimento sem consultá-los e agora terá de procurar todos novamente para rubricar o documento.
O "engano" de Jucá foi relativo aos requisitos constitucionais de uma CPI. Somente na hora de protocolar o documento ele adicionou, escrito à mão, o prazo de duração da comissão (90 dias), o número de senadores que irão participar da investigação (11 titulares e 11 suplentes) e o custo da CPI (R$ 100 mil).
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), anunciou a necessidade do "retrabalho". "O maior problema é que ele (Jucá) teria de ter combinado com os senadores que assinaram. A iniciativa da CPI não é só dele, mas de todos os outros. Ele vai ter de consultar todos para pedir que rubriquem o requerimento".
Segundo Garibaldi, o líder governista deve recomeçar o trabalho de coleta de assinaturas somente na próxima segunda-feira.
A assessoria de Jucá havia dito que as alterações eram de "praxe" e não prejudicavam a "legalidade" do documento. O entendimento era que apenas após a publicação do requerimento seriam proibidas alterações.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) foi o primeiro a observar a ilegalidade do manuscrito de Jucá. "Pode até haver alguma brecha, mas pela lógica ele não pode alterar o documento depois de assinado, ao menos que todos assinassem também a alteração".
CPI Mista já tem 126 adesões
Ao ter de coletar novamente as assinaturas ficará ainda mais evidente a queda de braço entre governo e oposição pela paternidade da investigação. Enquanto Jucá defende a investigação apenas no Senado, os partidos de oposição querem envolver a Câmara fazendo uma CPI mista. O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), que encabeça a CPI mista, disse nesta quinta-feira que já tem 126 assinaturas na Câmara, 45 a menos do que o necessário.
Sampaio conta com a ajuda de outros oito deputados na coleta de assinaturas e está confiante. "Acho que até quarta-feira já teremos as assinaturas para protocolar". O tucano garante que no Senado já há apoio acima dos 27 necessários.
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