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Governo formaliza pedido de CPI dos cartões que também atinge gestão FHC

06/02 - 20:03, atualizada às 15:35 11/02 - Redação com agências

BRASÍLIA - O requerimento para a instalação da CPI, apresentado pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi protocolado nesta quarta-feira e conta com 32 assinaturas, cinco a mais que o mínimo necessário, informou a assessoria do senador. Com o objetivo de neutralizar a CPI mista que pretende investigar os gastos com seus cartões corporativos, o governo decidiu apoiar uma CPI restrita ao Senado para apurar irregularidades com cartões desde 1998, atingindo também o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.


'Não se trata de manobra nem cortina de fumaça. A oposição não quer investigar? Então investiguemos', disse Jucá.

A oposição vê manobra na tática do governo. 'Que se trata de uma manobra clara isso não há a menor dúvida. É a tática do adesismo: vendo que ficaria feio impedir a investigação, o governo agora faz uma CPI genérica para terminar em pizza', afirmou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), autor do requerimento da CPI mista, disse que a nova comissão não invalida a primeira. 'Vamos continuar com a coleta de assinaturas da outra CPI. Se for o caso teremos as duas, uma do governo no Senado e outra, da verdade, no Congresso Nacional', disse Sampaio.

Gastos irregulares com o cartão corporativo do governo federal derrubaram a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, na sexta-feira passada.

Denúncias de uso indevido do cartão corporativo atingiram também os ministros Orlando Silva (Esporte), que devolveu à União os valores gastos nos últimos dois anos, e Altemir Gregolin (Pesca), além de seguranças da Presidência.

No requerimento apoiado pelo governo, a comissão tem como objetivo investigar, além dos cartões, que foram criados em 2001, as chamadas 'contas B'. Essas contas bancárias eram movimentadas por funcionários selecionados que utilizavam talões de cheques.

Depois de análise pela Mesa do Senado, o requerimento da CPI segue para leitura em uma sessão da Casa.

Para Dilma, laudos do TCU não comprovam abusos

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou em entrevista nesta quarta-feira que os laudos do Tribunal de Contas da União (TCU) confirmam que não houve abuso no uso dos cartões corporativos.

"Desde 2005 não há nenhuma conclusão nos laudos do TCU de que houve qualquer tipo de abusos com cartões corporativos, apenas recomendações", disse a ministra. 

Dilma classificou como “lamentável” as informações de que os cartões estariam sendo usados para pagar gastos da família do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Sobre a publicação dos extratos de cartões corporativos de seguranças e do funcionário que realiza as compras de alimentação do presidente e de seus familiares, Dilma Rousseff afirmou que foi um erro provocado por mudanças na informatização do Banco do Brasil.

“Vamos retificar essa falha, todas as providências foram tomadas para isso”, disse.

Segundo Dilma Rousseff, aquilo que se tratar de gastos efetuados em residências oficiais e com segurança não serão mais divulgados no Portal da Transparência. “O fato de não serem divulgados não significa que não sejam fiscalizados”, garantiu a ministra. Ela afirmou que questões de segurança justificam a decisão.

"Queda de braço" na reabertura do Congresso

A criação de uma "CPI dos Cartões" mobilizou o Congresso no primeiro dia de trabalhos parlamentares em 2008. O governo, que trabalhava para anular a proposta da oposição para investigar o uso dos cartões corporativos, mudou de estratégia durante a tarde e decidiu coletar assinaturas para criar uma CPI no Senado que investigue também parte dos gastos na gestão FHC.

(Com informações da Reuters e da Agência Brasil)


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