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Orlando Silva diz que devolveu gastos com cartão do governo

02/02 - 14:56, atualizada às 16:51 11/02 - Redação com Gazeta Esportiva

BRASÍLIA - O ministro dos Esportes, Orlando Silva (PC do B), disse que devolveu o valor de todos os gastos que teve com o cartão corporativo desde 2006, quando assumiu a pasta.  

Em entrevista coletiva, o ministro atacou a mídia e se disse "indignado" e sem medo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Ele disse que devolveu aos cofres públicos um total de R$ 30.870,78, oriundos de sua conta de pessoa física.

O ministro exibiu carta que relatou ter enviado ao seu gerente no Banco do Brasil pedindo que debite de sua conta e repasse ao Tesouro Nacional R$ 30.870,38, que corresponderiam a seus gastos nessa modalidade em 2006 e 2007. Ressalvou que foram somente despesas, e não saques, e que a maior parte se destinou a pagamento de hospedagem. Disse também que repassará todos os comprovantes de gastos à Controladoria-Geral da União (CGU).

"Decidi recolher aos cofres públicos cada centavo utilizado pelo cartão corporativo desde que assumi o ministério, pois percebi que há um debate politizando uma questão administrativa", afirmou Silva. "Temos a convicção de que cada gasto foi feito dentro da absoluta legalidade e quero que os órgãos de controle possam avaliar cada um dos gastos e chegar a uma conclusão, já que há controvérsias do que pode ou não."

O ministro dos Esportes, no entanto, espera ser ressarcido da quantia após avaliação. "Fiz todos meus gastos dentro da absoluta legalidade, dentro daquilo que estava estabelecido para o uso. Como se definiu uma discussão, vou aguardar a decisão sobre o que pode ser feito e a partir daí posso requerer a devolução", prosseguiu.

De acordo com Silva, grande parte dos gastos foi com hospedagens em cidades brasileiras, exceto Brasília (onde possui residência paga pelo governo federal) e São Paulo (onde moram suas esposa e filha).

Ataques à mídia

Orlando Silva havia passado os últimos dias em Barcelona, na Espanha, como membro da Comissão de Candidatura do Rio de Janeiro como sede aos Jogos Olímpicos de 2016. Ao desembarcar no Brasil, soube da demissão de Matilde Ribeiro. Um dia depois, disse que vai devolver o dinheiro porque a situação estava "insustentável".

"Na vida, tudo tem limite. Para vocês (jornalistas) terem uma idéia, chegaram a me perguntar se era razoável que eu permitisse que a minha filha de nove meses ocupasse o mesmo quarto de um apartamento, se isso não seria um gasto questionável do ponto de vista administrativo", afirmou o ministro. 

"Considerando uma agenda que vocês acompanham por vezes de 12, 14 e até 16 horas de trabalho, num período de final de semana, a hipótese de permitir que a minha filha, que ainda é amamentada pela própria mãe, ser questionada como ônus a mais, me pergunto se isso não seria demasiado e entra na minha intimidade. Quando um repórter me perguntou o nome e a idade da minha filha para publicação, achei que ultrapassamos a barreira do bom senso”, criticou.

“Tenho 36 anos, sendo que 20 deles foram dedicados à militância. Sempre me pautei pelo respeito à conduta, pelo respeito e pela defesa da minha honra. Meus únicos patrimônios são a minha família, a minha honra e a minha integridade. O limite a que o caso chegou é o de atacar a minha família e a minha integridade, então foi preciso agir com sobriedade e colocar o foco nas questões concretas”, emendou.

Apesar da medida tomada, Silva defendeu o uso do cartão corporativo e apontou que mais políticos deveriam utilizá-lo.

Os cartões

O objetivo dos cartões corporativos, segundo o governo, é aumentar a transparência sobre os gastos dos agentes públicos. Qualquer pessoa pode consultar o valor e o tipo da despesa no  Portal da Transparência da Controladoria Geral da União (CGU).

Em janeiro, Matilde Ribeiro aparecia como a campeã de gastos entre donos do cartão, com despesas em torno de R$ 171 mil. Nesta sexta-feira, a ministra anunciou a renúncia ao cargo e garantiu não estar arrependida. 

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