02/02 - 12:27 - Redação Santafé Idéias
O PT divulgou, na noite dessa sexta-feira, nota oficial solidarizando-se com a ministra Matilde Ribeiro, que pediu sua exoneração da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), depois que denúncias de abuso do uso do cartão corporativo foram publicadas na imprensa. Já o PSDB, que pretende instalar uma CPI para investigar o uso dos cartões, afirmou que a saída da ministra foi uma "confirmação" de sua culpa.
Na nota, o PT ressaltou que durante a gestão de Matilde, foi dada especial atenção "a um grupo de brasileiros historicamente relegados ao esquecimento: os descendentes de escravos moradores de áreas quilombolas". Além disso, lembrou que a ministra destacou-se na defesa das cotas para negros e índios nas universidades brasileiras, que permitiram, de acordo com o PT, o acesso de 40 mil pessoas ao ensino superior, nos últimos cinco anos.
A carta, assinada pelo presidente do PT, Ricardo Berzoini, diz que as irregularidades cometidas no uso do cartão corporativo motivaram "ataques e insinuações em tom abertamente preconceituoso, não só contra a ministra, mas contra a própria existência da Seppir".
O PT disse, ainda, que "repudia esse tipo de ataque, lembrando que, entre as muitas conquistas do governo Lula, a Secretaria se constitui em marco fundamental no processo de afirmação da cidadania do povo negro brasileiro" e afirmou que está "tranqüilo" em relação à investigação.
Já o líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP), afirmou que o pedido de demissão da ministra Matilde Ribeiro foi uma "confissão" de que houve desvio de dinheiro público. Ele defendeu a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito - proposta pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) - para investigar as irregularidades.
"A atitude da ministra prova que estávamos certos quando pedimos a abertura de uma CPI. A comissão vai poder mostrar adequadamente como esse benefício vem sendo utilizado", disse Pannunzio.
Em 2007, Matilde Ribeiro gastou mais de R$ 171 mil no cartão de crédito pago pelo governo. Entre as despesas, estão aluguéis de carros, contas em bares, restaurantes e até compras em um free shop.
O senador Alvaro Dias (PR) acredita que a ministra não tinha outra alternativa. "Ela era uma ministra desconhecida que ficou sem autoridade e moral política. Não podemos achar que o assunto se esgota com a demissão. A investigação deve ir além com uma apuração ampliada, inclusive dos gastos da Presidência", defendeu.
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