01/02 - 19:54 - Agência Estado
BELO HORIZONTE - Em depoimento nesta sexta-feira à Justiça Federal em Belo Horizonte, o empresário Marcos Valério afirmou que Delúbio havia lhe informado que a cúpula do partido tinha conhecimento dos empréstimos contraídos por suas agências junto aos bancos Rural e BMG, para pagamento de dívidas adquiridas pelo PT durante a campanha eleitoral de 2002.
A versão apresentada pelo empresário confirma o depoimento que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares apresentou à Justiça em São Paulo, na semana passada.
Valério disse também que o ex-tesoureiro do partido, Silvio Pereira, teria dito que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu tinha conhecimento do caso.
Porém, segundo Marcelo Leonardo, advogado que acompanhou o empresário no depoimento, em nenhum momento Valério afirmou categoricamente que Dirceu sabia dos empréstimos.
Ele teria negado também ter tratado do assunto diretamente com o ex-ministro. De acordo com o advogado, a Valério só interessava a garantia de que o PT quitaria os empréstimos feitos por suas agências de publicidade.
"Era irrelevante para mim se Dirceu sabia ou não, pois eu tinha uma carta do Delúbio garantindo o pagamento dos empréstimos pelo PT", disse Valério à Justiça, segundo informações repassadas por seu Leornardo.
Questionado pelo juiz Alexandre Buck Medrado, na sede do Tribunal Regional Federal de Belo Horizonte, o empresário disse que foi apresentado a Delúbio pelo deputado federal Virgilio Guimarães (PT-MG) e que chegou a desenvolver uma amizade íntima com o ex-tesoureiro. "Considero Delúbio Soares meu amigo, freqüentei a casa dele, e ele a minha", teria dito o empresário.
No intervalo do depoimento, o advogado de Valério afirmou que seu cliente disse ter sido apresentado à Maria Angela da Silva Saragoça, ex-mulher de Dirceu, por Silvio Pereira.
Silvio teria pedido a ele que conseguisse um emprego para Maria Ângela. Valério encaminhou a solicitação ao BMG, que a contratou sem saber que se tratava da ex-mulher de Dirceu. Depois, também a pedido de Silvio, Valério intermediou uma proposta de financiamento imobiliário, junto ao Banco Rural, para a aquisição de um apartamento por Maria Ângela.
Ganho financeiro
Ao juiz Alexandre Buck Medrado, Valério teria dito que não haveria crime neste seu ato de intermediar empréstimos entre os bancos e o Partido dos Trabalhadores.
Ele teria alegado que suas agências de publicidade não tiveram ganho financeiro com essa operação. Indagado sobre o chamado mensalão mineiro - empréstimos concedidos em 1998 para a campanha do tucano Eduardo Azeredo - Marcos Valério ficou calado e não teria respondido aos questionamentos.
Ainda no depoimento, o empresário teria dito que nunca foi informado que os valores repassados às pessoas indicadas por Delúbio seriam destinados à compra de votos de parlamentares.
"A única informação que eu tive é que esses recursos se referiam a um acordo entre partidos políticos para quitação de débito de campanha política", teria dito ele à Justiça.
Apesar disso, Valério reconheceu os nomes das pessoas ligadas aos partidos que teriam recebido os empréstimos que suas agências de publicidade contraíram nos bancos BMG e Rural. O empresário responde processo por lavagem de dinheiro, peculato, formação de quadrilha, corrupção ativa e evasão de divisas.
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