29/01 - 15:06, atualizada às 15:40 29/01 - Redação com agências
BRASÍLIA - Quinhentos e cinqüenta e seis municípios, ou 10% das cidades brasileiras, concentram 73,3% dos homicídios no País. A constatação está no Mapa de Violência dos Municípios Brasileiros 2008, publicação da Rede de Informação Tecnológica Latino Americana (Ritla) em parceria com o Instituto Sangari e os ministérios da Justiça e Saúde, divulgado nesta terça-feira.
O mapa abrange os casos de mortalidade causados por homicídios em geral, com foco especial naqueles envolvendo jovens, acidentes de transporte e armas de fogo.
Desde 1999 a dinâmica da violência no Brasil deixou de se concentrar nas grandes capitais e metrópoles, passando para o interior dos Estados.
As cidades com taxas médias mais elevadas no novo levantamento foram, respectivamente, Coronel Sapucaia (MS), Colniza (MT), Itanhangá (MT) e Serra (ES). Foram essas as cidades com mais de 100 homicídios para cada 100 mil habitantes.
Para minimizar as oscilações, principalmente nos municípios menores, foram utilizadas as médias dos três últimos anos disponíveis (2004 a 2006), no caso de municípios com 3 mil habitantes ou mais, ou dos últimos cinco anos (2002 a 2006), para aqueles com menos de 3 mil habitantes.
Para os municípios criados recentemente, foram usados dados a partir do ano de criação. O terceiro colocado no ranking, Itanhangá, por exemplo, só tinha dados de 2005 e 2006.
Dos 26 Estados, seis têm mais de um terço de seus municípios entre os 10% mais violentos do País: Amapá (50%), Rio de Janeiro (46,7%), Roraima (40%), Pernambuco (40%), Mato Grosso (36,9%) e Rondônia (36,5).
O Distrito Federal (DF) foi considerado como tendo apenas uma cidade (Brasília), que está entre os mais violentos. Assim, o DF aparece na lista com 100% de municípios nessa condição.
Para o cálculo das taxas de mortalidade, foram utilizadas estimativas disponibilizadas pelo Datasus (banco de dados do Sistema Único de Saúde) e a recontagem de população realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2007.
"Nossos dados contribuem para aprofundar o debate sobre o problema, além de reafirmarem a tese de que a violência deixou de ser apenas um problema das grandes cidades e espalhou-se por todos os municípios brasileiros, inclusive os de menor porte", afirma Jorge Werthein, diretor-executivo da Ritla.
Segundo o levantamento, a violência no Brasil mata muito mais do que a maior parte das endemias tradicionais. Entre 1996 e 2006, o número total de homicídios teve um crescimento superior ao crescimento da população.
O número de homicídios registrou um incremento regular até o ano de 2003. Entre 2003 e 2006, observam-se quedas anuais, provavelmente atribuídas às políticas de desarmamento (retirada de circulação de um número significativo de armas de fogo, e regulamentação legal para sua compra, porte ou utilização).
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