24/01 - 16:15 - Agência Estado
SÃO PAULO - O ex-secretário geral do PT Silvio Pereira firmou nesta quinta-feira um acordo que resultou na suspensão do processo que corre contra ele na Justiça Federal, em decorrência do escândalo do mensalão. A informação foi confirmada nesta tarde pela assessoria de imprensa da Justiça Federal.
"Estou limpo"
Silvio Pereira chegou pouco depois das 14 horas ao Fórum Criminal da Justiça Federal em São Paulo, onde seria colhido seu depoimento. Ao sair, o ex-secretário geral do PT se disse "aliviado" e confirmou o acordo assinado com a Procuradoria Geral da República (PGR) que suspendeu o processo movido contra ele em decorrência do escândalo do mensalão.
Pelo acordo, Silvinho terá que realizar trabalho voluntário por um período de três anos e ficou sujeito a uma espécie de liberdade condicional, tendo que comparecer periodicamente à Justiça e comunicar viagens com duração superior a oito dias.
"Estou limpo e sempre estive limpo", afirmou.
O acordo é mais brando do que havia sido proposto pela PGR. A idéia era que Pereira encarasse as mesmas condições por quatro anos e perdesse seus direitos políticos.
A assessoria do ex-petista apresentou uma contraproposta permitindo a manutenção dos direitos e reduzindo o período do acordo para três anos. Apesar do pedido, ele disse que não tem interesse em se candidatar a nenhum cargo e negou filiação ao PT.
Procuradoria confirma acordo
A Procuradoria Geral da República (PGR) confirmou o acordo fechado com o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira para a suspensão do processo referente ao esquema de compra de votos de parlamentares que ficou conhecido como mensalão. Pereira respondia pelo crime de formação de quadrilha.
Segundo a PGR, o acordo já está homologado e foi assinado pela juíza Silvia Maria Rocha, da Segunda Vara Criminal Federal de São Paulo, para onde o Supremo Tribunal Federal (STF) transferiu os interrogatórios de alguns réus do chamado mensalão.
O processo ficará suspenso por três anos. Após esse período, será excluído, se todas as condições do acordo forem cumpridas. Caso contrário, o processo volta a tramitar no STF.
Empréstimo pagou a festa, diz Delúbio
O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares reafirmou nesta quarta-feira, em depoimento no Fórum Criminal da Justiça Federal em São Paulo, a versão de que o partido contraiu um empréstimo junto ao banco BMG, no valor de R$ 2,4 milhões, com o objetivo de quitar déficit causado por despesas relacionadas à festa da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no período da transição do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para a gestão petista, em 2003. O depoimento de Delúbio é parte do inquérito que trata do escândalo do mensalão.
Delúbio já havia apresentado, anteriormente, a decisão referente à festa da posse de Lula em depoimento à Justiça Federal no início do mês.
Veja também:
Leia mais sobre: Mensalão
Publicidade
"Bispo" Rodrigues diz que nunca ouviu falar em venda de votos no Congresso