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Em primeiro dia de teste, motociclistas ignoram faixa exclusiva da Av. 23 de Maio

21/01 - 12:02, atualizada às 08:24 22/01 - Lecticia Maggi, repórter Último Segundo

SÃO PAULO – A Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo começou a testar na manhã desta segunda-feira uma faixa exclusiva para motocicletas na Avenida 23 de Maio, na região central da capital paulista. No período da manhã, no entanto, poucos motociclistas transitaram pela via.

Lecticia Maggi
Trânsito estava complicado na 23 de Maio nesta manhã
Durante o período de teste, que vai até sexta-feira, a CET vai avaliar o impacto da medida no trânsito da avenida, a principal ligação entre as zonas sul e centro de São Paulo. A criação de faixas exclusivas nas vias de maior movimento da cidade é uma antiga reivindicação de motociclistas.

Na 23 de Maio, a faixa tem apenas 2 km de extensão, do Viaduto Tutóia ao Viaduto Pedroso, e funcionará das 10 as 16 horas, período em que há mais motociclistas em circulação, por causa do horário comercial e de funcionamento de bancos. Neste período do dia, cerca de 2 mil motoqueiros percorrem a via.

O presidente do Sindicato dos Motociclistas, Gilberto Almeida Santos, acredita que a medida vai resolver parte dos problemas dos motoboys na avenida. "Como presidente do sindicato e motoboy, acredito que vai dar tudo certo. A faixa exclusiva é ótima e vai ajudar também a polícia, que vai poder fiscalizar melhor a via".

Lecticia Maggi
Santos apóia a criação da faixa
Santos reclama, no entanto, que o trecho de faixa exclusiva é muito curto. "Deveria se estender até a Avenida Washington Luis", sugere. Sobre a possibilidade da medida piorar o trânsito no local, como na manhã desta segunda, quando motoristas enfrentaram cerca de 9 km de congestionamentos na região da 23 de Maio, Santos é enfático: "Não é o motoboy que causa trânsito e sim o excesso de veículos da cidade".

Orlando Verderame Netto, diretor do sindicato, também reivindica uma faixa mais extensa. "A faixa exclusiva só ria dar certo se fosse até o Viaduto Anhangabaú, no final da 23". Netto acha ainda que a CET não terá como fiscalizar o local. "Aqui não tem espaço para o posicionamento dos fiscais e dos carros".

O presidente da CET, Roberto Scaringella, afirmou que o número de carros diminui bastante no horário das 10 às 16h e, por isto, a faixa não deve refletir muito no fluxo de veículos. Já o secretário de Transportes do município, Alexandre de Moraes, acredita que, mesmo com uma via a menos, a tendência é que haja acomodação do trânsito. "O horário de abrangência não é o de pico dos motoristas".

Caso seja adotada definitivamente, a faixa exclusiva da 23 de Maio será a segunda criada na cidade. Desde 2006, a avenida Sumaré, na zona oeste, possui uma via apenas para motos.

Segundo Scaringella, os resultados da criação da faixa na Sumaré ainda estão sendo avaliados. Para ele, porém, a medida tem se mostrado bastante positiva. "Houve uma adesão de 85% a 95% dos motociclistas, que aceitaram a criação da faixa por se sentirem mais protegidos", disse.

Conforme o secretário de Transportes, a prefeitura precisa ter atitudes mais pró-ativas para garantir a segurança dos motociclistas que circulam na cidade. "Vamos progressivamente analisar outros trechos para ampliação da faixa", conta Moraes e completa, "se verificarmos que a medida não foi positiva, imediatamente ela cessará".

Motoristas divergem sobre a criação da faixa

Marcos Rodrigues dos Santos, 48 anos, publicitário, tem escritório próximo à avenida e passa várias vezes por dia no local. Para ele, a criação da faixa irá diminuir o número de acidentes na via. “Já presenciei vários acidentes e vejo coisas absurdas aqui na 23. Com a faixa, os motoqueiros terão consciência que devem trafegar por ela”.

O publicitário não acredita que o trânsito poderá piorar. “Desse jeito é que está ruim, com os motoqueiros passando entre os carros”, afirmou.

Já o taxista Mauro Beraldi, 45 anos, acredita que a situação dos motoristas na avenida ficará ainda mais complicada. Ele cita o exemplo da Avenida Sumaré: “Pode ter resolvido o problema dos motoqueiros, mas, para nós, dificultou ainda mais”.

Beraldi, que já trabalhou como motoboy por quatro anos, e afirma que neste tempo levou 32 tombos, mas “nunca quebrou nada”, acha que o que falta é responsabilidade. “Já passei na Marginal a 90 km e tinha moto passando a 110 km. É preciso consciência. Às vezes, eles confiam demais nos motoristas, acham que nós sempre conseguimos brecar a tempo, mas nem sempre é possível”, completou.

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