14/01 - 19:45 - Eduardo Bresciani - Último Segundo/ Santafé Idéias
BRASÍLIA - Edison Lobão Filho (DEM-MA), suplente e filho do senador Edison Lobão (PMDB-MA), negou ter utilizado um "laranja" para se esconder de um negócio no Maranhão. Lobão Filho vive a expectativa de assumir a cadeira de senador com a provável nomeação de seu pai para o ministério de Minas e Energia ainda nessa semana.
Em nota divulgada na tarde dessa segunda-feira, o suplente de senador confirma que transferiu suas cotas de participação na empresa Bemar para Maria Lúcia Martins em 1998. Ele afirma, no entanto, que a transferência foi feito quando saiu da sociedade e não para se ocultar do negócio, como foi mencionado em reportagem da revista Veja.
Lobão Filho diz que a indicação de Maria Lúcia, que é empregada doméstica, como beneficiária das cotas foi feita por seu sócio, Marco Antonio da Costa. "Não sabia que Maria Lúcia era empregada doméstica de Marco Antonio, não sei por que ele tomou tal decisão e não tive absolutamente nenhuma participação na mesma", diz o suplente de senador.
Leia a íntegra da nota:
Fui sócio da Distribuidora Bemar de junho de 1997 a outubro de 1998.
Em 1998, decidi deixar a sociedade e transferir minhas cotas de participação para pessoas ligadas ao meu verdadeiro sócio, Marco Antonio da Costa. Por indicação dele, e tendo recebido a alteração contratual das mãos do próprio, transferi as cotas de minha participação na empresa para a mãe dele e para Maria Lúcia Martins – a quem eu não conhecia e não conheço, mas que me foi dito pelo próprio Marco Antonio tratar-se de pessoa da sua confiança.
Só muito tempo depois, fui saber que Maria Lúcia Martins era empregada de Marco Antônio Costa. Meu ex-sócio firmou a meu pedido um documento no qual assume toda a responsabilidade pela transferência das cotas para Maria Lúcia Martins e, também, todas as eventuais conseqüências cíveis, fiscais, criminais e tributárias decorrentes de um ato que foi de inteira responsabilidade dele.
Repito: não sabia que Maria Lúcia era empregada doméstica de Marco Antonio, não sei por que ele tomou tal decisão e não tive absolutamente nenhuma participação na mesma.
Refuto veemente a insinuação da Revista Veja de que eu teria tomado uma atitude dessas para "fugir do fisco". Não tenho motivo algum para fugir de nada, até porque o Sr. Marco Antonio, empresário de sucesso no Maranhão, assumiu todos os débitos passados e futuros da BEMAR.
Jamais disse que me arrependi de tal atitude, apenas afirmei que não conhecia a Maria Lúcia e que, se soubesse que se tratava da empregada doméstica, não teria concordado com aquela alteração contratual.
Acredito que fatos antigos só estão sendo remexidos para tentar criar um clima de intimidação em virtude da minha condição de suplente de senador. Tal tentativa é tão vexatória e suspeita que a Revista Veja chegou a entrevistar, em São Luís, uma pessoa que se passava por mim, e que, de maneira criminosa, disse em meu nome coisas absolutamente falsas. Isso, sim, é falsidade ideológica e, apesar da gravidade, essa interferência criminosa não foi investigada pelo repórter de Veja.
Edison Lobão Filho
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