09/01 - 11:43 - Rodrigo Ledo – Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - O presidente do Senado, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), ironizou nesta quarta-feira as declarações de oposicionistas sobre o "toma-lá-dá-cá" que o governo quer fazer para a base aliada no Congresso ajudar a aprovar o Orçamento da União de 2008 e os aumentos de impostos feitos semana passada. Para Garibaldi, a iminente indicação do senador Edison Lobão (PMDB-MA) para o Ministério de Minas e Energia é uma composição "elementar" de cargo com um partido governista. O presidente do Senado também negou que esteja ajudando o Planalto, conforme avaliação de analistas.
As afirmações de Garibaldi Alves Filho ocorrem num momento em que a oposição faz fogo cerrado contra a elevação de tributos (o Imposto sobre Operações Financeiras - IOF, e a Contribuição sobre Lucro Líquido - CSLL) e a disposição do governo de agregar sua base aliada para aprovar o Orçamento de 2008 com cortes e remanejamentos de acordo com as ações prioritárias do Executivo.
"Não é nada demais indicar para ministério (referindo-se a Edison Lobão). Como pode os partidos fazerem parte da base do governo e o governo não se sentir animado a dar eles a possiblidade de representantes seus integrarem determinados ministérios? Isso é elementar", argumentou o presidente do Senado.
Ele também respondeu às críticas de oposicionistas sobre suposta ajuda ao Palácio do Planalto para aprovar no Congresso a medida provisória do aumento da CSLL - em vez de atuar com neutralidade, conduzindo os trabalhos legislativos e respeitando a decisão dos parlamentares. A opinião da oposição é a de que, ao deixar de convocar a comissão representativa para dirigir o Congresso no recesso até fevereiro, Garibaldi Alves Filho acabou enterrando as chances de início de tramitação do projeto de decreto legislativo que propõe a anulação do aumento da CSLL.
Em sua defesa, Garibaldi alegou que se a comissão representativa atuasse até fevereiro, as chances do governo seriam maiores porque ela é composta em sua maioria de parlamentares alinhados com o Planalto.
"Trocar um debate com o Congresso, Senado e Câmara, principalmente no começo dos trabalhos, quando para aqui acorrem todos os deputados e todos os senadores, por uma comissão que tenha maioria folgada do governo, e depois dizer que eu estou beneficiando o governo, sinceramente, mas estou sendo injustiçado", reclamou.
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