08/01 - 12:41, atualizada às 08:43 09/01 - Redação
SÃO PAULO - O governo intensificou a vacinação da população contra a febre amarela em Goiás e no Distrito Federal e recomendou ainda que todos os moradores e pessoas que forem visitar as regiões Norte, Centro-Oeste e os Estados de Minas Gerais e Maranhão se vacinem. Segundo o Ministério da Saúde, os viajantes, principalmente os que forem se hospedar em fazendas e reservas ecológicas, devem receber a vacina com 10 dias de antecedência.
Os Estados de São Paulo, Piauí, Paraná, Santa Catarina, Bahia e sul do Espírito Santo também são considerados áreas de risco potencial.
Segundo o Ministério da Saúde, a proteção da vacina dura por 10 anos e é contra-indicada apenas para crianças com menos de 6 meses de idade, pessoas com o sistema imunológico comprometido ou que estejam passando por radioterapia e alérgicas a gema de ovo. As grávidas precisam passar por avaliação médica antes de serem vacinadas.
O Ministério da Saúde deslocou no último final de semana 300 mil doses de vacina de seu estoque estratégico para o Centro-Oeste. “Minas Gerais, Amazonas e Paraná doaram 100 mil doses da vacina cada um”, afirmou na segunda-feira o secretário de Vigilância e Saúde do Ministério da Saúde, Gerson Penna. A medida foi tomada em resposta às mortes de macacos próximos de áreas urbanas em Goiás e no Distrito Federal, supostamente infectados pela doença.
Suspeita de febre amarela no DF
Os hospitais particulares de Brasília estão obrigados, a partir de hoje, a comunicar o governo sobre qualquer paciente suspeito de estar com febre amarela. A preocupação cresceu ainda mais depois que três pessoas foram internadas no Distrito Federal com sintomas da doença.
De acordo com informações da Secretaria de Saúde, o primeiro caso é um homem, de 38 anos, que não tomou a vacina e passou o final de ano na cidade de Pirenópolis, em Goiás. O paciente deu entrada no Hospital Santa Luzia na última sexta-feira, às 21h, com febre alta, dores no corpo e queda do estado geral.
O quadro evoluiu com complicações hepáticas e renais, confirmadas por exames laboratoriais. Nesta terça-feira o paciente morreu após apresentar insuficiência renal aguda. O resultado dos exames comprovando se ele contraiu febre amarela deve sair em seis dias.
| Valter Campanato/Agência Brasil |
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| Filas aumentaram nos postos de saúde do DF |
O terceiro caso é de um homem de 34 anos, de São Sebastião, que foi internado na sexta-feira no Hospital Regional da Asa Norte e morreu um dia depois. A necropsia foi realizada na segunda-feira e os exames macroscópicos não evidenciam a possibilidade de febre amarela, porém, a causa da morte só será conhecida com o resultado dos exames histopatológicos. Ele foi diagnosticado com a hipótese de ter dengue, leptospirose, hantavirose ou febre amarela e nenhuma opção foi descartada.
O secretário de Saúde, José Geraldo Maciel, informou que desde o dia 28 de dezembro, quando começou a mobilização da população contra a doença, 230 mil pessoas já foram vacinadas nos postos e centros de saúde da rede pública.
A vacinação contra a febre amarela continua na rede pública e o secretário estuda a possibilidade de funcionamento dos postos no próximo fim de semana. “Pedimos às pessoas que chegam de outras cidades que procurem o centro de saúde de imediato para tomar a vacina”, disse Maciel, que avalia a necessidade de instalação de postos de vacinação nas fronteiras do DF, onde todos que não apresentarem o comprovante de vacinação serão imunizados.
Trabalhador morre em Goiás
O trabalhador rural J.B.G, de 31 anos, que estava internado com suspeita de febre amarela no Hospital de Doenças Tropicais (HDT) de Goiânia (GO) desde a última quarta-feira morreu na noite de sexta-feira, de acordo com o Sistema de Verificação de Óbitos do Institudo Médico Legal do Estado.
Ele foi levado ao hospital por apresentar quadro de febre, dor abdominal, hemorragias e distúrbios renais. Segundo a secretaria estadual de Saúde, foram realizadas sorologias para febre amarela, leptospirose, hantavirose e dengue. No entanto, até que os resultados de todos os exames sejam divulgados, não há como afirmar com certeza a causa de sua morte.
J.B.G trabalhava havia dois meses próximo ao Rio Passa Três e uma usina desativada no município de Uruaçu, que é considerada uma zona endêmica de febre amarela silvestre. Ainda de acordo com a secretaria, ele não era vacinado contra febre amarela há mais de 20 anos.
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