07/01 - 09:30, atualizada às 10:57 07/01 - Agência Estado
GOIÂNIA - A morte do trabalhador rural João Batista Gonçalves, de 31 anos, está obrigando as autoridades de saúde a intensificar ações para evitar a febre amarela urbana. Gonçalves, que estava internado com suspeita da doença no Hospital de Doenças Tropicais (HDT) de Goiânia desde a última quarta-feira, morreu na noite de sexta-feira.
Para impedir a proliferação da doença, extinta há 65 anos no Brasil, o Estado de Goiás montou uma operação de guerra. Além de atacar os hospedeiros naturais - macacos e mosquitos -, pretende vacinar 802.946 pessoas, 15% da população.
Goiás é tido como zona endêmica da febre amarela silvestre devido às grandes extensões de matas existentes na região Centro-Oeste. “O Ministério da Saúde convocou todos os Estados a enviarem suas doses de vacina contra a febre amarela”, diz o secretário de Saúde, Cairo de Freitas. Segundo ele, os 15% da população a serem vacinados foram estimados pelo ministério, que se propôs também a liberar 1,5 milhão de doses de vacina.
A estimativa se refere ao número de pessoas que não teriam sido vacinadas contra a febre amarela nos últimos dez anos. A operação de guerra começou no dia 2. Além da vacinação, o Estado atua em outra frente de trabalho para impedir a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da febre amarela nas zonas urbanas, e que está presente em 242 dos 246 municípios: em Goiânia, a prefeitura está retirando toneladas de lixo que são despejadas nas ruas todos os dias pelos moradores.
Municípios vizinhos a Goiânia, como Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Trindade, São Miguel do Passa Quatro, Hidrolândia, Goianira e Bela Vista estão em alerta pelo registro de macacos mortos. No Estado, até o mês passado, foram localizados 80 macacos mortos - os macacos e os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabetes são os principais hospedeiros da febre amarela silvestre.
Segundo a Secretaria de Saúde de Goiás, há novos casos graves. Em Jaraguá, cidade que fica à beira da rodovia Belém-Brasília (BR-153), a 150 quilômetros de Goiânia, 13 macacos foram encontrados mortos.
O laudo que apontará a causa da morte do trabalhador rural ficará pronto em 90 dias.
Leia também:
Leia mais sobre febre amarela
Publicidade