04/01 - 08:57, atualizada às 12:21 04/01 - Agência Estado
SÃO PAULO - Os vazamentos de vapor de água, a uma temperatura de 150°C - capaz de derreter a proteção de cabos elétricos -, eram um problema constante nos andares baixos do prédio dos ambulatórios do Hospital das Clínicas de São Paulo, atingido por um incêndio na véspera do Natal que deixou mais de 4 mil pessoas sem consultas médicas. A situação foi confirmada ontem pelo engenheiro responsável pela manutenção da Fundação Pró-Sangue, Lívio Luksys, que trabalha no 1º andar do edifício.
O risco trazido pelos vazamentos de vapores, provenientes de água utilizada em esterilização, já havia sido denunciado anonimamente por funcionários. Luksys disse ter relatado o problema oficialmente a técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), ligado ao governo do Estado de Estado de São Paulo, que prepara uma avaliação técnica sobre as causas do fogo. Antes, tinha avisado a "superiores" no HC.
"Esse era um problema crônico deste lugar. Como às vezes vazava na parte de funcionários, colocávamos tapumes. Mas até o tapume já tinha cozinhado em uma ocasião", disse o engenheiro. "Alertávamos porque esse vazamento provocava um ruído ruim, mas, mesmo que não afetasse, atentávamos para o desperdício. Além disso, era vapor de água aquecida a uma pressão maior e a 150° C, enquanto o isolamento térmico de um cabo agüenta até 105°C. A essa temperatura, poderia afetar a parte elétrica." Luksys não quis informar o nome ou o cargo das pessoas alertadas.
A direção do HC diz que só se manifestará oficialmente após a divulgação do laudo sobre as causas do incêndio. Segundo integrantes da diretoria, hipóteses como a do vazamento de vapor, no entanto, "podem basear-se em pistas forjadas por funcionários descontentes". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
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