21/12 - 07:43 - Redação
SÃO PAULO - O acervo do Museu de Arte de São Paulo (Masp), que foi invadido nesta quinta-feira e teve dois quadros furtados, está avaliado em mais de US$ 1 bilhão e não possui seguro. As informações são do jornal "Folha de S. Paulo".
A estimativa de valor de US$ 1 bilhão é considerada conservadora e segundo a assessoria da e imprensa do Masp não possui seguro porque seu preço seria inviável. Apenas o prédio é segurado.
De acordo com o jornal, o Masp, que tem o mais importante acervo da América Latina, possui um sistema de segurança semelhante ao do Louvre em 1911. Esse informação foi dada por um dos conselheiros do museu que não teve o nome revelado.
Na madrugada desta quinta-feira, três ladrões entraram no Masp e roubaram os quadros "O Lavrador de Café", de Portinari, e "O Retrato de Suzanne Bloch", de Picasso.
A assessoria do Masp afirmou que o museu não possui sistema de alarme. Segundo ela, todo o acervo é vigiado pela ronda de seguranças com apoio do circuito interno de câmeras.
Em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira, a polícia afirmou que trabalha com a possibilidade o roubo ter sido encomendado e não descarta relação com a tentativa de assalto realizada em outubro deste ano. No dia 29 de outubro, dois homens tentaram invadir o segundo andar do prédio do Masp, mas foram surpreendidos por seguranças e desistiram.
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| Perito observa macaco usado em furto |
Durante entrevista coletiva, a polícia informou que não sabia se a porta do segundo andar do Masp, onde estavam as obras, possuia alarme e que isso seria investigado. Posteriormente, o delegado caiu em contradição e afirmou que não havia alarme na porta. Procurada pela reportagem do Último Segundo, a assessoria de imprensa do museu disse que não iria se pronunciar.
Outra informação que ficou confusa foi a respeito do número de portas quebradas pelos ladrões. Primeiro, em entrevista coletiva, Moura afirmou que três homens invadiram o museu, por volta das 5h, e arrombaram três portas utilizando um pé-de-cabra e um macaco. Mas depois disse que somente a porta externa foi quebrada e que as outras poderiam estar abertas na hora do furto. “Eles entraram pelo vão do Masp, levantaram a porta principal com um macaco hidráulico, subiram as escadas até o segundo andar e quebraram a porta com um pé-de-cabra." disse Moura, completando que os quadros estavam expostos na parede.
As câmeras instaladas no museu capturaram o momento em que os assaltantes chegaram. De acordo com o delegado, os três não estavam encapuzados. Mauro detalhou, porém, que não há imagens internas – apenas da parte de fora do museu.
Sobre a possibilidade de participação de funcionários, o delegado afirmou que trabalha com todas as hipóteses. Ao todo, o museu tem 30 funcionários e dois deles já foram ouvidos nesta quinta-feira. O delegado, porém, preferiu não informar o conteúdo dos depoimentos. “O roubo aconteceu na troca de turno. Trabalhamos com todas as possibilidades, mas quero destacar que os funcionários trabalham há bastante tempo no Masp”, disse Moura.
Em três minutos, R$ 100 milhões
| Marco Tomazzoni |
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| Entrada do Masp fechada |
Os ladrões demoraram apenas três minutos - das 5h09 às 5h12 desta madrugada - para arrombar as instalações, segundo informações da assessoria de imprensa do museu, e levar os dois quadros. A polícia foi informada do roubo às 9h25.
Pelas imagens, segundo a polícia, é possível afirmar que os criminosos sabiam as obras que pretendiam levar, já que elas estavam em salas separadas e distantes no segundo andar do prédio. Segundo a assessoria do Masp, o quadro "O Lavrador de Café" ficava em frente ao elevador, na entrada do piso, já "O Retrato de Suzanne Bloch" estava exposto na região central do salão. As obras são avaliadas em R$ 100 milhões.
A assessoria do museu informou que as obras não podem ser avaliadas, pois nunca foram leiloadas. Porém, procurada pela reportagem do Último Segundo, a equipe formada por cinco avaliadores da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, que realiza leilões de obras modernas e contemporâneas, afirmou que a obra de Picasso pode ser avaliada em cerca de R$90 milhões e a de Portinari em R$10 milhões.
Primeiro assalto de obras
Em nota divulgada à imprensa, o Masp afirmou que, ao longo dos seus 60 anos de atividades, nunca sofreu uma ocorrência desta natureza e, por isso, já instaurou uma sindicância interna visando, inclusive, a total colaboração com o trabalho policial.
"Ações semelhantes, infelizmente, têm ocorrido não só em grandes museus do mundo como também nos brasileiros, razão pela qual o Masp está acionando, além de nossa polícia local, a Interpol, Polícia Federal e o Itamaraty para as providências devidas", diz a nota.
Masp fechado temporariamente
O Masp permanecerá fechado nos próximos dias até a finalização da perícia policial. A direção do museu disse que não fornecerá mais informações para não prejudicar o andamento das investigações. O caso foi registrado no 78º Distrito Policial (DP).
(Com informações da Agência Estado)
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