21/12 - 17:41 - Redação
SÃO PAULO - Quem pretende viajar neste início de fim de semana para aproveitar as festas de Natal e Ano Novo vai precisar de paciência para enfrentar aeroportos lotados, vôos atrasados e cancelados em diversas cidades do País. De acordo com a Infraero, 26,9% dos vôos estão atrasados e 109 foram cancelados nesta sexta.
No aeroporto de Congonhas, em São Paulo, as filas das companhias aéreas lotavam áreas de embarque e desembarque e saguões. A aposentada Harumi Suziki, de 62 anos, esperou mais de uma hora na fila preferencial para idosos e pessoas com crianças da Gol. “Estão cortando a fila por fora e eu vou ficando”. O vôo dela para Joinville estava atrasado. Sobre a possibilidade de o vôo já ter partido sem ela a aposentada é categórica: “mato meia dúzia se isto acontecer”.
Mesmo com viagem cuidadosamente planejada e passagem comprada desde o dia 17 de novembro, o empresário Jose Xisto, de 55 anos, ficou grande parte do dia de hoje esperando para embarcar para Campo Grande. Seu vôo, marcado para às 14h48, foi adiado para 17h21, mas ele só foi avisado quando chegou ao aeroporto meio dia.
“Fiquei sabendo na hora, não avisaram nada antes. Perdi a confraternização com meus funcionários. Isto é uma pouca vergonha”, reclamou.
Os atrasos nos vôos começaram cedo na manhã desta sexta. O advogado Fábio Reis, de 31 anos, chegou a São Paulo uma hora depois da prevista, porque seu avião decolou atrasado de Cuiabá. “Eu ia para Campinhas, mas já perdi o ônibus e agora terei que rever os meus gastos com hospedagem.
Em Congonhas, a fila para o check-in da Gol era a mais longa nesta sexta. O servidor público Josmar Oliveira reclamou que ficou esperando mais de três horas para ser atendido. “Cheguei às 9h25 e são 12h30. Os funcionários da Gol alegam que está tudo normal, que nós temos que ficar numa fila única. Quem vem tentar fazer um check-in antecipado fica esperando mais do que deveria”.
Oliveira disse que reclamou da situação com os fiscais da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mas, segundo ele, nenhuma providência foi tomada. “Já falei com o funcionário da Anac e ele disse que era isso mesmo, pois era posição da empresa e ele estava de acordo”.
Contra o caos aéreo
As medidas do governo para evitar o caos aéreo nas festas de fim de ano e nas férias escolares começam hoje sem uma definição sobre a compensação aos passageiros que tiverem vôos atrasados ou cancelados. Anunciada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, há duas semanas, a medida que prevê pagamentos que variam de 5% a 50% do valor do bilhete, dependendo do atraso, e o dobro do valor no caso de cancelamento não saiu do papel.
A prometida Medida Provisória que faria o ressarcimento vigorar de imediato, no entanto, não foi editada pelo governo. A Assessoria de Imprensa do Ministério da Defesa informou que a área técnica ainda estuda a melhor forma de regulamentar a indenização e, por isso, as novas regras ainda não estão valendo.
"O ressarcimento será adotado, mas é preciso estudar a melhor forma da lei", disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ao deixar a reunião do Conselho de Aviação Civil (Conac), órgão de assessoramento da Presidência da República.
Passageiros não serão ressarcidos
As medidas do governo para evitar o caos aéreo nas festas de fim de ano e nas férias escolares não saíram do papel, segundo informações do Jornal O Estado de S.Paulo. As medidas incluem pagamentos que variam de 5% a 50% do valor do bilhete, dependendo do atraso, e o dobro do valor, no caso de cancelamento.
A prometida "Medida Provisória" que faria o ressarcimento vigorar de imediato não foi editada pelo governo. A Assessoria de Imprensa do Ministério da Defesa informou que a área técnica ainda estuda a melhor forma de regulamentar a indenização e, por isso, as novas regras ainda não estão valendo.
"O ressarcimento será adotado, mas é preciso estudar a melhor forma da lei", disse o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
Entre os passageiros do aeroporto de Congonhas, as opiniões a respeito das indenizações por atrasos divergem. Jéferson Fritsch, 24 anos, eletrotécnico, que veio do Rio Janeiro e tem como destino Porto Alegre, acha certo as empresas não pagarem os passageiros. "Acho que as companhias aéreas não têm culpa dos atrasos, o que falta é estrututra. Há dez anos existiam os mesmos aeroportos de hoje, mas hoje há dez vezes mais passageiros", acredita.
Já a empresária Sandra Márcia Cordeiro, 48 anos, discorda de Fritsch. Para ela, as companhias devem ser punidas. "Quantos vezes não perdi compromissos por causa de atrasos e não pude fazer nada?! Se elas souberem q não vão ser punidas, vão 'pintar e bordar'", afirmou.
Mudanças no Natal
Os postos do Juizado Especial Cível nos aeroportos de Congonhas, na zona sul da capital paulista, e Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, terão horário diferenciado no período de festas de final de ano. Neste final de semana (22 e 23) e de sexta a domingo da próxima semana (28, 29 e 30), o atendimento será das 9 às 23 horas.
Nos dias 24 e 31 de dezembro, o horário será das 9 às 19 horas. Nos dias 25 de dezembro e 1º de janeiro, funcionarão das 15 às 19 horas.
O objetivo dos juizados é atender às reclamações mais comuns dos passageiros, como atraso e cancelamento de vôos, falta de informação e assistência, extravio e violação de bagagens. Os casos são resolvidos por meio da conciliação. Não havendo acordo, o autor pode, desde logo, ingressar com uma ação, sem custos, que será remetida ao juizado mais próximo de seu domicílio, mesmo que em outro Estado.
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