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Médico rebate declarações da irmã de Ryan Grace

17/12 - 08:58, atualizada às 10:51 17/12 - Redação com agências

SÃO PAULO - O psiquiatra Sabino Ferreira de Farias Neto, contratado pela família Gracie para acompanhar e medicar Ryan Grace, na véspera de sua morte, considerou “a mais crassa mentira” as declarações da irmã de Ryan, Flávia Gracie, de que ele teria se incumbido de intermediar pagamentos a delegados e carcereiros para favorecer o paciente. O lutador de jiu-jitsu Ryan Gracie, de 33 anos, foi encontrado morto na madrugada de sábado em uma cela do 91º Distrito Policial, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo.

 

“A única coisa que teve foi uma sugestão para que dessem R$ 100, R$ 200 aos carcereiros para que o Ryan tivesse direito a comer pizza, refrigerante, um sorvete, quando tivesse vontade. Foi sugestão minha. Não teve a intenção de suborno e, em momento nenhum, houve conversa de valores com policiais”, disse. “Se houvesse qualquer indício de corrupção, eu denunciaria o fato", afirmou.

“Fiz o meu melhor, estou convicto disso, mas infelizmente não foi suficiente para mantê-lo vivo”, prosseguiu o médico, dizendo compreender a dor da família Gracie. “Eu também estou arrasado. É meu segundo óbito em 31 anos de trabalho.”

Farias confirmou que recebeu cerca de R$ 5 mil para atender Ryan. “Isso foi conversado antes e eles aceitaram. Nem foi a dona Flávia quem pagou, mas a companheira do Ryan, Andréia, parte em cheque e o restante em dinheiro.”

Cremesp

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp)  abriu uma sindicância nesta segunda-feira para apurar a atuação do psiquiatra. Segundo o secretário-geral do órgão, Renato Azevedo, houve uma série de procedimentos incomuns no caso do lutador.

“Vamos ouvi-lo para saber a razão de ele agir daquela maneira”, disse o secretário. “Tudo o que sabemos foi o que os jornais veicularam. Inicialmente, o fato de ele ter sido atendido, diagnosticado e medicado em uma cela de cadeia não nos pareceu adequado”, pondera.

De acordo com o Cremesp, a sindicância é um procedimento de investigação de rotina que acontece sempre que há denúncias de que um médico teve uma conduta inadequada.

O conselho afirmou que irá ouvir o psiquiatra e, se necessário, poderá solicitar prontuários e conversar com a família do lutador.

Durante a sindicância, o Cremesp julgará se houve infração por parte do psquiatra. No final da investigação, poderá abrir um processo ético profissional contra o médico, que irá a julgamento. Em caso de condenação, pode ter cinco penas diferentes, que vão desde advertência até a cassação do registro profissional. 

Saiba mais sobre o caso

Na última sexta-feira, Gracie havia sido preso sob a acusação de ter roubado um veículo no Itaim Bibi, em São Paulo. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o lutador teria abordado um homem de 76 anos com uma faca de cozinha e roubado seu carro, um Toyota Corolla. Na fuga, Gracie bateu o carro e teria tentado roubar uma moto, sendo detido por motociclistas logo depois.

Após a prisão, o advogado de Gracie disse que seu cliente tomava medicamentos controlados. Já o médico psiquiatra Farias Neto afirmou que ele estava sob efeito de drogas ao ser detido. “Gracie confirmou que tinha usado cocaína injetável, aspirável e maconha", disse Farias.

Exames realizados a pedido do médico mostraram, segundo informações do psiquiatra, que o lutador havia usado cocaína, crack e maconha. Pentacampeão mundial do Pride, o torneio mais importante do mundo do jiu-jítsu, Gracie teve que ser medicado na delegacia. 

No sábado, pela manhã, o lutador foi encontrado morto em uma cela do 91º Distrito Policial (Vila Leopoldina). Exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) apontarão a causa da morte.

O lutador é integrante da família Gracie, do patriarca Hélio Gracie, precursor do jiu-jítsu no Brasil. Em 2000, o ‘bad boy’ da família Gracie havia passado 18 dias preso no Rio de Janeiro, acusado de esfaquear um estudante em uma festa. Cinco anos depois, em São Paulo, o lutador teria agredido fisicamente um policial e ofendido uma delegada do 78º DP, na região dos Jardins.

Leia mais sobre: Ryan Gracie

(*Com informações da Agência Estado)




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