15/12 - 10:36, atualizada às 18:47 15/12 - Redação com agências
SÃO PAULO - O lutador de jiu-jítsu e vale-tudo Ryan Gracie, de 33 anos, foi encontrado morto na madrugada deste sábado em uma delegacia de São Paulo, segundo informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. O psiquiatra do lutador, Ferreira de Farias Neto, disse que Gracie havia usado cocaína e maconha antes de ser preso. O delegado Paulo William Oliveira Bittencourt afirmou que uma comprovação para a causa real da morte só poderá ser obtida por meio laudo do exame necroscópico do Instituto Médico Legal (IML), que deve ficar pronto num prazo médio de 30 dias.
O corpo do lutador foi achado às 8h deste sábado, em uma cela do 91º Distrito Policial, na Vila Leopoldina, na zona leste da capital paulista. Segundo o delegado Paulo William Oliveira Bittencourt, ele e um carcereiro encontraram Gracie deitado de lado, como se estivesse dormindo.
"Quando o encontramos, ele dava sinais de falta de consciência. Chamamos pelo nome, mas ele não respondeu. Então pedi para abrir a cela, tomando os cuidados necessários para que não fosse uma possível tentativa de fuga. Tomamos a pulsação e verificamos que não havia pulso", relatou o delegado.
Segundo ele, Gracie tinha um líquido avermelhado saindo pela boca, o que lhe pareceu um quadro de problemas cardíacos. O delegado informou ainda que havia três presos na cela ao lado e que perguntou a eles se Gracie chegou a pedir socorro ou dar sinais de que estaria passando mal, mas eles negaram. Os presos próximos, entretanto, relataram que o lutador parecia respirar com dificuldade.
Gracie havia sido preso na última sexta-feira, acusado de roubar um veículo no Itaim Bibi. Segundo a SSP, ele teria abordado um homem de 76 anos com uma faca de cozinha e roubado seu carro, um Toyota Corolla. Na fuga, o lutador bateu o carro e teria tentado roubar uma moto, sendo detido por motociclistas logo depois.
Após a prisão, o advogado de Gracie disse que seu cliente tomava medicamentos controlados. Já o médico psiquiatra Farias Neto afirmou hoje que ele estava sob efeito de drogas ao ser detido. “Gracie confirmou que tinha usado cocaína injetável, aspirável e maconha", disse.
De acordo com o médico, Gracie estava preocupado em ser filmado preso, pois havia cinegrafistas e fotógrafos na delegacia. "Ele (Gracie) chegou a ameaçar que se isso ocorresse iria se matar, e que daria um jeito de tentar fugir mesmo que os policiais atirassem contra ele", relatou Farias Neto.
O médico disse ter solicitado aos policiais que fossem feitos dois exames no lutador: um de urina e outro de amostra de cabelo. O exame de urina detecta drogas usadas nos últimos três dias, e o outro apura o uso de substâncias tóxicas usadas nos últimos 180 dias. Este, no entanto, é enviado aos Estados Unidos, e leva de 30 a 40 dias para ficar pronto.
Farias Neto afirmou que cada minuto de espera para fazer o exame toxicológico era precioso, pois só depois disso ele pode medicar o lutador para acalmá-lo.
Na sexta-feira, os policiais ainda não haviam conseguido o depoimento de Gracie, mas prometiam submeter o lutador ao exame toxicológico. “Ele está muito alterado. Então infelizmente a gente não conseguiu pegar um depoimento com ele com muito discernimento”, afirmou o delegado Aílton Braga na ocasião da detenção.
Pentacampeão mundial do Pride, o torneio mais importante do mundo do jiu-jítsu, Ryan Gracie teve que ser medicado na delegacia. Ryan Gracie é membro da família Gracie, do patriarca Hélio Gracie, precursor do jiu-jítsu no Brasil.
Em 2000, o ‘bad boy’ da família Gracie passou 18 dias preso no Rio de Janeiro, acusado de esfaquear um estudante em uma festa. Cinco anos depois, em São Paulo, o lutador teria agredido fisicamente um policial e ofendido uma delegada do 78º DP, na região dos Jardins.
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