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Médico de Gracie afirma que lutador estava drogado

15/12 - 13:55 - Agência Estado

O médico psiquiatra Sabino Ferreira de Farias Neto, proprietário da clínica Maxwell localizada em Atibaia, a 69 quilômetros da capital, afirmou há pouco, na 91ª Delegacia de Polícia de São Paulo (Vila Leopoldina), que o lutador de jiu-jítsu Ryan Gracie estava sob efeito de drogas ao ser detido. "Ele estava drogado.

Gracie confirmou que tinha usado cocaína injetável, aspirável e maconha", disse Farias Neto.

Ele informou ter ficado com Gracie de cerca de 22h30 de sexta-feira até as 6h deste sábado. O lutador foi encontrado morto às 8h de hoje, e o médico informou que não estava mais com ele. Segundo Farias Neto, quando saiu da cela deixou Gracie sozinho e bem mais calmo, sonolento e tranqüilo.

De acordo com o médico, Gracie estava preocupado em ser filmado e preso, pois havia cinegrafistas e fotógrafos na delegacia. "Ele (Gracie) chegou a ameaçar que se isso ocorresse iria se matar, e que daria um jeito de tentar fugir mesmo que os policiais atirassem contra ele", relatou Farias Neto.

Após o exame toxicológico no IML, Farias Neto informou ter medicado o lutador com Andol injetável, duas ampolas de Fenergan, dois comprimidos de Topamax além de Diampax e um comprimido de Leponex. Como a pressão arterial do lutador estava em 17x10, o médico informou tê-lo medicado também com um comprimido de Capotem 25.

Farias Neto afirmou que cada minuto de espera para fazer o exame toxicológico era precioso, pois só depois disso ele pode medicar o lutador para acalmá-lo.

O médico disse ter solicitado aos policiais que fossem feitos dois exames no lutador: um de urina e outro de amostra de cabelo. O exame de urina detecta drogas usadas nos últimos três dias, e o outro apura o uso de substâncias tóxicas usadas nos últimos 180 dias. Este, no entanto, é enviado aos Estados Unidos, e leva de 30 a 40 dias para ficar pronto.

O médico psiquiatra disse que foi chamado há cerca de quatro anos pela mãe e pela companheira do lutador para tentar persuadi-lo a se internar para tratamento de dependência química, ao que Gracie resistiu. Aceitou, no entanto, se tratar com os medicamentos prescritos pelo médico. Desde então, era medicado com o antidepressivo Diampax. Farias Neto disse que não fazia acompanhamento periódico do lutador, e que ontem foi a segunda vez em que foi chamado pela família, depois da prisão de Ryan Gracie. Após o início do tratamento, segundo ele, a família informou ao médico que o lutador estava menos ansioso e mais tranqüilo.

"Não se pode descartar nada. É preciso investigar, é preciso averiguar", disse. O medico revelou que Gracie achava realmente que estava sendo perseguido porque teria brigado com traficantes, e passou a andar armado com uma faca há algum tempo. Além disso, negou ter roubado o carro.

Bastante emocionado, Farias Neto disse que trabalha há 30 anos com dependentes de drogas e que esse foi o segundo caso de morte entre pacientes na sua carreira.



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