06/12 - 16:48 - Sarah Barros, Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - O presidente da CPI do Sistema Carcerário, deputado Nelcimar Fraga, afirmou nesta quinta-feira estar assustado com a forma com que o caso da menina presa com mais de 20 anos no município de Abaetetuba (PA) tem sido tratado. “O que mais assusta é a frieza e a insensibilidade com que as autoridades tratam o assunto”, afirmou.
Um dos exemplos seria a corregedora Liane Martins, afastada do caso hoje depois de tentar minimizar a culpa de policiais por terem deixado uma mulher, menor de idade, presa com 20 homens por quase um mês. “Não tem como eximir a polícia de culpa. [As declarações] Foi uma forma de [a corregedora] defender seus pares”, avaliou Fraga. Para ele, o fato de a menina ter mentido sobre sua idade, declarando ter 19 anos, não justifica o que aconteceu na cela.
De acordo com o deputado, a CPI pretende auxiliar nas investigações. Para isso, entrevistou nesta quinta-feira presos que estiveram com a jovem, agentes penitenciários e agentes policiais. “A polícia está envolvida desde o início, no meio e no fim, já que a menina estava sob custódia da polícia. Não há nenhuma dúvida de que, tanto a Polícia, como a Justiça, o Ministério Público e outras autoridades, foram omissos”, concluiu.
Mudanças de cargo
A queda da corregedora é a segunda mudança de autoridades desde o início das investigações. Ex-delegado-geral da Polícia Civil, Raimundo Benassuly perdeu o posto na semana passada depois de declarar em depoimento no Senado que a menina tinha alguma debilidade mental, por omitir sua real idade.
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