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Senadores esperam absolvição e renúncia de Renan

28/11 - 12:38 - Eduardo Bresciani - Último Segundo/ Santafé Idéias

BRASÍLIA - O processo de cassação contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) será julgado na próxima semana em clima ameno. A expectativa de aliados e adversários do peemedebista é de absolvição do colega e de sua renúncia ao cargo de presidente do Senado, do qual está licenciado desde 11 de outubro.

 

Nesta tarde, o presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), confirmou que a votação acontecerá na terça-feira, dia 4.

O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), afirma que haverá um acordo tácito da renúncia de Calheiros em troca de sua absolvição. O tucano acredita que votos petistas ajudarão a salvar o mandato do alagoano.

Ele cita como exemplo a líder do PT, Ideli Salvatti (SC), que fez questão de ressalvar em seu voto favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) não estar fazendo um juízo de mérito. "Se os planos dele (Renan Calheiros) derem certo haverá uma ampla votação a favor da absolvição no PT, no PMDB e em partidos da base".

Aloízio Mercadante (PT-SP), que declarou voto pela cassação, admite ser mais provável a absolvição. Ele garante, no entanto, que os votos pró-Calheiros virão de todas as bancadas. "A bancada do PT está dividida, mas eles também. Se os líderes me autorizarem eu digo claramente quem do PSDB e do DEM irá votar a favor do Renan".

A líder do PT afirma que seu partido não irá fechar questão no tema. "A questão do Renan para a bancada do PT nunca teve fechamento de questão porque é de juízo pessoal", diz Ideli.

O líder do DEM, José Agripino (RN), faz pregação contra a absolvição. "Se o Senado absolver Renan está legislatura estará comprometida e será contaminada, inclusive, a imagem da classe política como um todo".

Aliado fiel de Renan, Almeida Lima (PMDB-SE), acredita que a absolvição será mais fácil do que no primeiro processo, quando o colega foi salvo por seis votos. "Se a outra representação não tinha prova, essa não tem sequer indícios".

Entre os motivos do clima favorável para Renan, o principal é a sua licença da Presidência da Casa. É unânime entre os senadores a análise de que a distância do cargo facilitará sua absolvição. No primeiro processo, julgado em 12 de setembro, Renan ainda ocupava a cadeira e o clima estava radicalizado.

O processo que chega agora ao plenário acusa o peemedebista de ter utilizado laranjas para comprar veículos de comunicação em Alagoas. O relator do processo no Conselho de Ética, Jefferson Péres (PDT-AM), apontou sete indícios de quebra de decoro parlamentar e recomendou a perda do mandato. Renan foi absolvido de dois processos e responde a outros dois no Conselho. Uma sexta denúncia está paralisada na Mesa Diretora do Senado.

Sucessão

Apesar da expectativa pela absolvição, é dado como certo que Renan não retornará ao cargo da Presidência. A expectativa, aliás, é de uma renúncia antes ou logo após o seu julgamento.

Com isso, o governo pode ganhar um problema extra na votação da prorrogação da CPMF. "Vai ser um vale-tudo, um barata voa pela sucessão no PMDB", anuncia Vírgilio. "A sucessão atrapalhará muito a CPMF. O próprio processo já é um elemento complicador para o governo", comemora Agripino.

Entre os nomes ventilados para a sucessão, Garibaldi Alves (PMDB-RN) é o favorito. Candidato declarado, tem como grande trabalho convencer o PMDB e a base do governo de que pode ser confiável. Nomes como José Maranhão (PMDB-PB), Edison Lobão (PMDB-MA), Valdir Raupp (PMDB-RO) e Roseana Sarney (PMDB-MA), tem sido veiculados com menor força.

Leia mais sobre: Renan Calheiros




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