28/11 - 13:47, atualizada às 14:13 28/11 - Redação
SÃO PAULO - Os laudos divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Médico Legal (IML) confirmam que a menor L., que ficou presa 24 dias numa cela com 20 homens na carceragem de Abaetetuba, no Pará, sofreu lesão corporal e teve relações sexuais na prisão. "Ela apresenta diversas escoriações no corpo em fase de cicatrização", afirmou o delegado-geral adjunto da Polícia Civil, Justino Alves Junior. Segundo ele, os exames comprovaram que a adolescente tem entre 15 e 17 anos.
De acordo com o delegado, os laudos confirmaram o ato libidinoso, mas não o estupro. "O estupro será comprovado através das provas e dos depoimentos", disse.
Os exames de gravidez e de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) deram resultado negativo.
Uma comissão externa criada pelo Congresso Nacional para investigar o crime cometido contra a menor chegou nesta manhã a Belém. Os parlamentares seguiram para o Centro de Recuperação Feminina.
Nesta tarde, eles participam de uma audiência na sede da Superintendência da Polícia Federal. Foram convidados para a reunião a secretária de Segurança do Estado, Vera Lúcia Marques Tavares, a secretária de Justiça e Direitos Humanos, Maria do Socorro Gomes, representante do Conselho Tutelar de Abaetetuba, Diva Andrade, e a delegada Flávia Verônica Monteiro Pereira, que estava de plantão na delegacia e determinou a detenção da menor.
Problema mental
Na terça-feira, uma declaração do delegado-geral da Polícia Civil do Pará, Raimundo Benassully, foi criticada e causou revolta nos participantes da audiência pública no Senado Federal. Benassully disse que a garota não informou sobre o fato de ser menor de idade. “Ela tem certamente alguma debilidade mental, porque em nenhum momento manifestou ser menor de idade”, disse.
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, que chegou a audiência logo depois da declaração, rebateu o discurso irritada dizendo que o ocorrido não tem justificativa alguma. "Tentar justificar qualquer coisa é um total absurdo", afirmou.
A governadora disse aos senadores da Comissão de Direito Humanos e Legislação Participativa do Senado que está tomando as providências para que situações como a da adolescente não se repitam e para que os culpados não fiquem impunes. “Trata-se de uma barbaridade, uma sucessão de erros graves e equívocos. Estamos fazendo tudo o que podemos. Temos clareza das nossas responsabilidades e vamos enfrentá-las”, declarou.
O delegado tentou se retratar dizendo que se expressou mal. Segundo ele, a preocupação era com estado psicológico e mental da garota, que teria sofrido abusos desde a primeira vez que foi presa na mesma carceragem, em junho deste ano. “Como ela sofreu violência física, isso pode tê-la afetado psicologicamente, porque ninguém mantém declaração falsa por tanto tempo”, questionou.
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