27/11 - 12:10, atualizada às 14:40 27/11 - Carollina Andrade - Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA - O delegado geral do Polícia Civil do Pará, Raimundo Benassully, se retratou quanto à declaração dada há pouco em comissão do Senado Federal de que a adolescente presa na mesma cela com 20 presos, no Pará, teria problemas mentais por não ter dito ser menor de idade. A declaração foi mal recebida pela governadora do Pará, Ana Júlia Carepa.
Benassully declarou que se expressou mal. Segundo ele, sua preocupação é com estado psicológico e mental da garota que teria sofrido abusos desde a primeira vez que foi presa na mesma carceragem, em junho deste ano. “Como ela sofreu violência física, isso pode tê-la afetado psicologicamente, porque ninguém mantém declaração falsa por tanto tempo”, questionou.
Para ele, é preciso investigar se a adolescente de 15 anos foi constrangida a manter a mentira e se sentiu-se ameaçada. Antes, o delegado havia dito que a adolescente teria alguma debilidade mental, porque em nenhum momento manifestou ser menor de idade. A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, reagiu e disse que o ocorrido não tem justificativa alguma e tentar justificar isso é um total absurdo.
Já o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, disse que o discurso do delegado mostra a farsa mantida no período em que a menina esteve presa e a “avaliação hipócrita” de considerar aceitável se o caso tivesse ocorrido com uma maior de idade. “Tanto faz se era menor ou maior, homem ou mulher. Ser violentado na prisão é um absurdo”, protestou.
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