25/11 - 09:34 - Redação
A menina L., de 15 anos, acusada de furto e que ficou presa durante 24 dias com vinte homens em uma cela em Abaetetuba, no nordeste do Pará, disse em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo" que era "castigada" quando não atendia aos pedidos dos presos. "Eles me castigavam quando eu não fazia o que eles queriam", diz.
A menina ainda mostra marcas de queimaduras nas solas dos pés, hematomas pelo corpo causados por surras com pau de vassoura e os cabelos bem curtos, cortados a facão pelos presos com quem dividiu a cela em Abaetetuba.
Ainda de acordo com a "Folha", os moradores sabiam que a menina estava presa. "Era um show isso daqui. Todo mundo sabia que a menina estava lá no meio daqueles homens todos, mas ninguém falava nada", disse uma mulher na delegacia, sexta-feira à noite.
"Antes de comer, os presos se serviam dela", lembra outra mulher, referindo-se ao fato de os presos obrigarem a menina a praticar sexo como condição para lhe darem alimento. "Ela gritava e pedia comida para quem passava", afirma outra.
Segundo a "Folha", não houve denúncia porque os moradores afirmaram ter "medo de morrer". O Conselho Tutelar de Abaetetuba recebeu uma denúncia anônima. A delegada Flávia Verônica Pereira, responsável pela prisão em flagrante de L., foi afastada de suas funções no dia 20. A Folha tentou sem sucesso contatar Flávia por telefone na sexta.
Viagem com o pai
Acompanhada do pai biológico dela, Aloísio Prestes, ela deixou ontem o Pará sob proteção de agentes da Polícia Federal. A secretária adjunta da Subsecretaria dos Direitos da Criança e do Adolescente, Márcia Ustra Soares, que acompanhou a dupla na viagem, disse que o destino não seria revelado por questão segurança. "Tanto o pai quanto a menina sofreram ameaças e não convém divulgar o local para onde foram transferidos", explicou.
A mãe, Joisecléa Prestes, e os irmãos de L. ficaram sob guarda do governo estadual por determinação da governadora Ana Júlia Carepa. Além de zelar pela segurança de parte da família da menina, o governo dará a eles assistência nas áreas de saúde, educação, esporte. Soares entende que Joisecléa e os outros filhos não correm risco se ficarem no Pará.
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