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Maluf resgata Paulipetro e não descarta prefeitura

25/11 - 12:19 - Agência Estado

O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) não descarta a possibilidade de concorrer à Prefeitura de São Paulo nas eleições municipais do ano que vem. Em entrevista exclusiva à Agência Estado, ele afirmou: "Eu não confirmo e nem nego (a intenção de entrar nessa disputa)", mas ponderou: "Se achar que tenho chances...".

Maluf garante ter um "eleitorado cativo", exemplificando com o fato de que, mesmo sem campanha, seu nome aparece em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para a Prefeitura. Segundo ele, a decisão sobre o candidato da legenda deverá sair em maio de 2008. "O Partido Progressista tem bons nomes", emendou.

Na propaganda eleitoral gratuita que o PP está veiculando no rádio e na televisão, Maluf é apontado como o precursor da descoberta da maior reserva de gás e petróleo feita pela Petrobras no País, o Campo de Tupi, na Bacia de Santos. A propaganda tem a seguinte mensagem: "Em 1980, baseado em estudos geológicos, o governador Paulo Maluf criou a Paulipetro. Ao invés de apoio, a iniciativa recebeu calúnias e incompreensões. Vinte e sete anos depois, o projeto de Maluf se confirma. Graças ao petróleo da bacia de Santos, o Brasil vai fazer parte da Opep. PP, visão de futuro."

Questionado sobre essas incompreensões e calúnias, Maluf diz: "Sabe qual foi o meu grande erro, e continua sendo? Eu enxergo 20 anos à frente".

Ao comentar o fato de a Paulipetro ter sido extinta pelo seu sucessor, o já falecido governador tucano Franco Montoro (que na ocasião era do PMDB), Maluf alfinetou: "Ciúme de homem é pior que ciúme de mulher, aqueles que me sucederam, em vez de continuar naquela experiência de tornar o Brasil auto-suficiente, fecharam os poços, o que inclusive ocasionou uma litigância jurídica contra o governo do Estado pelo rompimento dos contratos."

E defendeu novamente sua iniciativa, dizendo que se a Paulipetro não tivesse sido extinta, o Brasil já seria auto-suficiente em petróleo há muito tempo. A única descoberta comprovada da Paulipetro foram pequenos depósitos de gás, sem viabilidade comercial.

He-Man

Ao ser indagado sobre o fato de a Paulipetro, criada em 1979, ter centrado suas atividades na Bacia do Paraná e não na Bacia de Santos, onde a Petrobras descobriu o Campo de Tupi, ele explicou que o projeto incluía as duas bacias, mas a sonda para fazer a prospecção em terra demorava cerca de 6 meses e num bloco offshore (como na Bacia de Santos) levaria mais de dois anos, o que ultrapassaria o seu mandato.

E retrucou: "Se em 54 anos de existência a Petrobras não conseguiu fazer o Brasil auto-suficiente, é evidente que eu não sou o He-Man (o herói de desenho animado que erguia a espada mágica e gritava pelos poderes de Greyskull, transformando-se no homem mais poderoso do universo) e não poderia tornar o Brasil auto-suficiente em apenas dois anos."

O ex-governador contestou também o fato de a imprensa noticiar que ele foi condenado - e com decisão confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) - a devolver aos cofres públicos a quantia de US$ 250 mil pelos prejuízos causados pela Paulipetro.

"A decisão do Supremo confirma a multa de US$ 250 mil em cima de Paulo Maluf, da Petrobras, do governo de São Paulo, da CESP, do IPT, do Silvio Fernando Lopes, que infelizmente já morreu e era o meu secretário de Obras e o Osvaldo Palma, que foi superintendente da Paulipetro, ou seja, em cima de todos nós, não sei a razão de os jornais gostarem tanto de mim e só falarem no meu nome," ironizou.

Maluf disse que a decisão do Supremo, que não acatou um recurso extraordinário (também impetrado pela Petrobras) contestando a decisão do STJ, não é definitiva porque não foi tomada por unanimidade pelos ministros dessa Corte. "Como a decisão não foi unânime, cabe recurso e vamos entrar com a rescisória judicial."

O deputado do PP destacou, ainda, que o consórcio Paulipetro - do qual participavam a CESP, o IPT e a própria Petrobras - tinha o objetivo de ajudar o Brasil a ser auto-suficiente e diminuir sua dependência externa. "Tudo isso foi feito sob a supervisão da Petrobras. É bom que se diga que nada foi feito sem o aval da Petrobras."




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